Cyntoia Brown tinha sido condenada a prisão perpétua em 2004, nos Estados Unidos, por ter morto um homem que a contratou como prostituta quando ela tinha apenas 16 anos e era vítima de tráfico sexual. Quinze anos mais tarde, o governador do estado de Tennessee Bill Haslam concedeu-lhe clemência e vai libertá-la da cadeia a 7 de agosto, noticia o The New York Times. Segundo ele, é verdade que “Cyntoia Brown cometeu, por sua própria decisão, um crime horrível aos 16 anos”. “No entanto, impor uma sentença perpétua a uma jovem que lhe requereria estar presa pelo menos 51 anos antes de ser sequer elegível para a liberdade condicional é muito severo, especialmente à luz dos extraordinários passos que Brown tomou para reconstruir a vida”, considerou ele.

Na época do crime, em 2004, Cyntoia Brown vivia com o namorado, um proxeneta de 24 anos conhecido por “Kut Throat” que abusava sexualmente dela e a obrigava a prostituir-se. Um dia, um corretor de imóveis de 43 chamado Johnny M. Allen contratou-a para terem relações sexuais no quarto dele em troca de 150 dólares, valor acordado durante um jantar. A certa altura, Cyntoia Brown julgou que Johnny M. Allen tinha uma arma para a assassinar. Por isso, quando o homem adormeceu, matou-o com um revólver e fugiu com dinheiro e outras duas armas.

Apesar de ter apenas 16 anos nessa altura, Cyntoia foi julgada como sendo maior de idade e condenada a prisão perpétua por homicídio em primeiro grau. A condenação dizia que Cyntoia Brown só seria elegível para liberdade condicional em 2055. Agora, com a decisão tomada por Bill Haslam, ficará livre precisamente 15 anos depois de ter sido presa. Mas vai ser vigiada pelas autoridades durante os próximos dez.

Mais de uma década depois dos crimes, o caso de Cyntoia Brown continuou a dar que falar, lembra o Huffington Post. O Supremo Tribunal de Tennessee disse em dezembro que a mulher, agora com 30 anos, devia permanecer na cadeia. Ainda foi apresentada uma ação judicial que defendia que as sentenças de prisão perpétua sem liberdade condicional para os jovens eram inconstitucionais, mas o tribunal recusou-o. À conta disso foi organizada para 19 de janeiro deste ano uma Marcha das Mulheres que pedia mais justiça para Cyntoia Brown e para outras vítimas de tráfico sexual.

Entretanto, Cyntoia Brown já enviou um agradecimento ao governador que decidiu libertá-la: “Obrigada, governador, pelo seu ato de misericórdia em dar-me uma segunda oportunidade. Farei tudo o que puder para justificar a sua fé em mim”, disse ela em comunicado. Na mesma declaração, Cyntoia Brown também agradeceu aos funcionários do Departamento de Correções, que lhe deram acesso a formações: “Viram algo em mim que valia a pena salvar”, termina.

A vida de Cyntoia Brown foi explicada num documentário de 2011 transmitido na CBS com o título “Me Facing Life: Cyntoia’s Story”, recorda a CNN. Segundo essa peça, que se baseou em entrevistas e em documentos do tribunal, Cyntoia era filha de uma mãe viciada em drogas e em álcool que lhe deu para adoção quando ainda era muito nova. Aos 16 anos, Cyntoia fugiu de casa e começou a morar num motel com um chulo que se apresentava como namorado dela.