Turismo

Confederação do Turismo “preocupada” com efeitos do Brexit. Será preciso ação “cirúrgica”

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo diz estar "preocupado com o Brexit", pois "a UE foi estudada para a união e não para a desunião" e "nunca se falou sobre como sair".

M

Autor
  • Agência Lusa

O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), Francisco Calheiros, manifesta-se “preocupado” com os efeitos do Brexit no turismo em Portugal e defende uma ação cirúrgica para não se perderem turistas britânicos.

O debate na Câmara dos Comuns sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) será retomado na quarta-feira e será o ministro do Brexit, Stephen Barclay, a dar início aos trabalhos. A Lusa falou com a Confederação do Turismo Português (CTP), para ouvir a sua perspetiva sobre qual poderá ser o impacto para Portugal da saída do Reino Unido da União Europeia.

Francisco Calheiros, presidente da CTP, admite, em declarações à Lusa, estar “preocupado com o ‘Brexit'” porque “a União Europeia foi estudada para a união e não para a desunião, por isso, falou-se sempre sobre como entrar, mas nunca se falou sobre como sair”.

O responsável da CTP lembra que os turistas britânicos são muito importantes para Portugal, sobretudo para o turismo no Algarve e na Madeira. “Já estamos a sentir os efeitos. Houve um aumento de 10% nas dormidas de britânicos em 2016 face a 2015, em 2017 face a 2016 a variação foi nula, e, entre janeiro e outubro de 2018 houve uma descida de 9% nas dormidas face a 2017. É uma situação que nos preocupa”, admite. Por isso, existe já um “grupo de acompanhamento que vai reunir ainda esta semana para identificar eventuais problemas e antecipar soluções”, referiu, acrescentando que este grupo inclui a Secretaria de Estado do Turismo, a Secretaria de Estado da Internacionalização e o Turismo de Portugal.

De acordo com um estudo promovido pela CIP — Confederação Empresarial de Portugal, divulgado em outubro e apresentado no parlamento em dezembro, o turismo e as exportações do setor automóvel são duas das áreas que mais podem sofrer com o Brexit em Portugal. Francisco Calheiros alerta sobretudo para a saída do Reino Unido do Espaço Schengen [ e para a necessidade de os turistas britânicos precisarem de visto para entrar em Portugal.

Se o Reino Unido sair da União Europeia sem acordo, os turistas britânicos serão considerados oriundos de países terceiros, como aqueles que não estão nem na União Europeia nem no Espaço Económico Europeu, como é o caso dos Estados Unidos e da Austrália, por exemplo. Assim sendo, os turistas britânicos precisarão de passaportes válidos para entrar em Portugal. “Temos de estudar este tipo de consequências”, disse o presidente da CTP, sublinhando que “está na altura de fazer mais promoção no Reino Unido, de tentar substituir as companhias aéreas que deixaram de voar para o Algarve, de reforçar alguns produtos populares no Reino Unido, como o golfe — os ingleses são fanáticos por golfe –, e apostar no MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Events), que leva muita gente para o Algarve”.

Para o presidente da CTP, “temos de ser cirúrgicos” porque existe uma percentagem muito grande de britânicos entre o total de estrangeiros que vão para o Algarve” e “não podemos arriscar perder esse mercado tão importante” para Portugal. “É preciso haver mais voos diretos e reforçar a aposta nos produtos de que os ingleses gostam. É preciso atacar cirurgicamente”, defendeu.

O acordo de saída do Reino Unido da União Europeia será votado pelo Parlamento britânico a 15 de janeiro.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)