O Presidente da República expressou esta terça-feira preocupação com o combate às alterações globais, considerando que está a haver “um retrocesso” na concertação global e que “tem de haver alguma limitação da soberania” perante problemas comuns.

Quando se trata de problemas de todos, em todo o mundo, tem de haver alguma limitação da soberania – porque aquilo que alguns não fazem é pago pelos outros todos, não é pago apenas por esses que deixaram de fazer”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa falava durante mais uma edição do programa “Cientistas no Palácio de Belém”, que arrancou esta terça-feira, com uma sessão que juntou o especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, que preside ao Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), e alunos do ensino secundário.

No final da sessão, perante os estudantes de escolas de Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, e de Portalegre, o chefe de Estado disse-lhes que a exposição de Filipe Duarte Santos sobre a evolução do clima na Terra e dos recursos naturais era “uma chamada de atenção” sobretudo para os jovens como eles, que “vão viver mais tempo”.

Depois, elogiou o progresso de Portugal nesta matéria, referindo que, “independentemente dos governos, independentemente dos presidentes, tem caminhado sempre na mesma direção”, mas salientou que o combate às alterações climáticas exige “um trabalho em conjunto”, desde logo, nas Nações Unidas. “O que é preocupante hoje é que deu tanto trabalho chegar a esse ponto, e hoje estamos a viver um recuo, um retrocesso. Há países cujos governantes dizem: não, isto é o meu problema, eu é que decido as emissões que posso ou não fazer, eu não respeito aquele acordo que foi celebrado, porque trava a nossa indústria, trava a nossa economia”, acrescentou.

Sem nomear ninguém, o Presidente da República referiu que “isto começou a multiplicar-se, apareceu um, depois apareceu outro, depois apareceu outro” governantes a “trocar o que se chama uma visão multilateral, que envolve todos para resolver problemas de todos, por uma visão unilateral”. “Esta visão é gravíssima, porque é apelar ao egoísmo”, lamentou.