Comissão Europeia

Juncker defende não haver “compromisso possível” na luta contra a corrupção

O presidente da Comissão Europeia defendeu que não existe "compromisso possível" na luta contra a corrupção, num discurso para assinalar o início oficial da presidência romena da União Europeia.

A Roménia tem sido alvo de duras críticas de Bruxelas devido à controversa reforma do seu sistema judicial

ROBERT GHEMENT/EPA

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu esta quinta-feira em Bucareste não haver “compromisso possível” na luta contra a corrupção, num discurso para assinalar o início oficial da presidência romena da União Europeia (UE).

Sim, a União Europeia é feita de compromissos, mas quando se trata dos direitos humanos, quando se trata do Estado de direito, da luta contra a corrupção, não há compromisso possível”, advertiu Jean-Claude Juncker perante os mais altos responsáveis romenos, reunidos para assistir a um concerto na sessão de abertura da presidência rotativa de seis meses do bloco comunitário.

A Roménia tem sido alvo de duras críticas de Bruxelas devido à controversa reforma do seu sistema judicial, que corre o risco de enfraquecer o combate à corrupção e minar o Estado de direito.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, lamentou, por seu lado, que “alguns na União Europeia pensem que é um sinal de força agir à margem das normas”. “Eles estão errados, é um sinal de fraqueza”, sublinhou.

Apelo aos romenos para que defendam os fundamentos da nossa civilização política: a liberdade, a integridade, o respeito da verdade na vida pública, o Estado de direito, a Constituição”, declarou, num discurso muito aplaudido proferido em romeno, numa altura em que muitos temem que Bucareste siga as passadas não liberais da Hungria.

Num momento em que o Governo romeno, social-democrata, multiplica as críticas a Bruxelas, que acusa de querer imiscuir-se na política interna do país, Juncker afirmou: “A Comissão [Europeia] é amiga da Roménia, embora algumas pessoas neste país pareçam por vezes duvidar disso.”

O presidente da câmara dos deputados e líder do partido social-democrata no poder, Liviu Dragnea, que primou pela ausência na sessão de gala, interpôs um processo contra a Comissão junto da justiça europeia, por considerar que a sua presunção de inocência não foi suficientemente respeitada num inquérito sobre uma presumível fraude com fundos europeus.

Melindrada pelas dúvidas verbalizadas no fim de dezembro por Jean-Claude Juncker sobre a capacidade de Bucareste para presidir à UE, a primeira-ministra romena, Viorica Dancila, expressou o desejo de que o seu país seja tratado com respeito.

“Nós queremos ser parceiros iguais e respeitados dentro da UE”, declarou.

Várias centenas de manifestantes estavam concentradas no exterior do auditório de Bucareste onde decorreu a sessão para exprimirem o seu apego aos valores europeus.

“A Roménia encontra-se numa encruzilhada, eles (os políticos) tentam há dois anos, e parcialmente conseguiram, pôr a justiça de joelhos para protegerem os corruptos”, disse à agência noticiosa francesa AFP Gheorghe Tenita, um reformado, brandindo uma bandeira da UE e outra da Roménia.

“UE, pedimos desculpa por este Governo”, lia-se num cartaz, enquanto os manifestantes repetiam o nome da Europa.

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