Partidos e Movimentos

Movimento Europa e Liberdade inicia hoje convenção para influenciar discurso político

O Movimento Europa e Liberdade, que realiza uma convenção esta quinta e sexta-feira em Lisboa, assume que quer influenciar o discurso político, sem ataques a lideranças partidárias ou governativas.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O Movimento Europa e Liberdade (MEL), que vai realizar uma convenção na hoje e sexta-feira em Lisboa, assume como objetivo influenciar o discurso político, mas rejeita qualquer ataque a lideranças partidárias ou governativas.

Com presenças confirmadas de dois líderes partidários, Assunção Cristas (CDS-PP) e Pedro Santana Lopes (Aliança) e a ausência de Rui Rio (PSD) por opção do próprio, a I Convenção do MEL quer colocar os partidos “do centro da governação” a debater temas como os desafios da Europa no atual contexto mundial e as razões do fraco crescimento português nas últimas duas décadas.

“Se conseguirmos alterar o discurso político e inová-lo nesse sentido, temos parte significativa dos objetivos da convenção atingidos”, afirmou Jorge Marrão, presidente do MEL, em declarações à Lusa.

Entre os oradores convidados estão Luís Montenegro, Pedro Duarte, Miguel Morgado e Miguel Pinto Luz, que têm em comum já se terem manifestado disponíveis para disputar a liderança do PSD. O evento já motivou, aliás, uma dura troca de palavras entre Manuela Ferreira Leite e Montenegro, com a antiga líder do PSD a considerar preferível o partido ter “pior resultado” eleitoral do que ficar com um “rótulo de direita”.

“Eu creio que há pessoas no PSD, como fica claro com esta declaração, que não se importam que o partido seja cada vez mais pequeno, mais pequenino, pequenino mesmo. E isto não pode deixar de indignar quer os militantes, quer os dirigentes, quer os votantes do PSD”, respondeu Luís Montenegro no programa “Almoços Grátis”, da TSF. “Muito em breve falarei sobre o estado do PSD, falarei mesmo sobre o futuro do PSD porque entendo que este estado de coisas tem de acabar e isto tem de mudar: o PSD assim não se vai conseguir afirmar”, acrescentou.

O fundador do MEL, que lançou em maio do ano passado o seu manifesto inaugural, rejeita que o movimento tenha qualquer objetivo eleitoral “ou de federar partidos”. “Nós não queremos competir no campo eleitoral, não estamos aqui para atacar lideranças partidárias nem governativas, mas para denunciar um conjunto de matérias que consideramos essenciais que entrem no discurso político e sejam debatidos pelos partidos”, defendeu.

Jorge Marrão lamentou alguma polémica que antecedeu esta I Convenção – que levou até à desistência de alguns oradores da área socialista, depois de a iniciativa ter sido apresentada como uma espécie de Estados-gerais do centro-direita — e explica que a escolha dos convidados foi feita em função dos oito painéis em que se organiza à convenção, ligados a temas europeus e económicos.

De fora dos convites ficaram o PCP e o BE, porque o Movimento entende que é “no centro da política, no centro da governação” que se resolvem os problemas que querem colocar no centro do debate.

Os perigos do crescimento de partidos populistas e extremistas — “com respostas mais simples” -, o sistema político, os desafios do crescimento e das desigualdades em Portugal, as novas ameaças à liberdade e as novas realidades europeias e mundiais serão alguns dos temas em debate nos dois dias da Convenção “Europa e Liberdade”, que decorrerá em Lisboa na Culturgest.

Depois da I convenção — que será replicada em outros encontros fora da capital -, o MEL conta reunir toda a informação produzida num texto “que sirva para ser publicado e entregue a todos os partidos”. A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, encerrará a convenção, na sexta-feira, e o líder da recém-fundada Aliança, Pedro Santana Lopes, é o convidado de abertura do segundo dia de trabalhos.

Rui Rio rejeitou o convite para participar na convenção do MEL, decisão justificada à Lusa pelo partido na semana passada com a presença de muitos oradores do PSD que se têm dedicado “à destabilização” interna e por se considerar que o movimento se assume claramente como de direita “em oposição à linha ideológica seguida pela atual direção” social-democrata.

O antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes, dois ex-líderes do CDS, Paulo Portas e José Ribeiro Castro, bem como o antigo ministro socialista Luís Amado são outros dos nomes que constam da mais recente versão do programa divulgado pelo MEL.

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