Teatro

Artistas Unidos levam “O teatro da amante inglesa” ao Teatro do Bolhão até sábado

À semelhança do que Truman Capote fizera com "A sangue frio", a peça "O teatro da amante inglesa" aborda a fronteira do mal e questiona onde começa a loucura e o crime.

A fronteira do mal, onde começa o crime, é colocada em questão na peça "O teatro da amante inglesa", de Marguerite Duras

JOSÉ COELHO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A fronteira do mal, onde começa o crime, é colocada em questão na peça “O teatro da amante inglesa”, de Marguerite Duras, que os Artistas Unidos apresentam esta sexta-feira e sábado no Teatro do Bolhão, no Porto.

A partir da tradução de Luiz Francisco Rebello — estreada em julho de 1970, no Teatro-Estúdio de Lisboa, com encenação de Luzia Martins –, e da última versão da peça editada em vida de Marguerite Duras (1914-1996), Jorge Silva Melo criou uma versão que agora apresenta no Porto depois da estreia em Lisboa e de passagens pelas Caldas da Rainha, Évora, Alverca e Setúbal.

A escolha desta peça surgiu por acaso quando, num ensaio de uma outra, Silva Melo viu a atriz Isabel Muñoz Cardoso, sentada, e a cena provocou-lhe uma sensação de dejà vu. “Onde é que já visto? Ah, sim, quando a [atriz britânica] Peggy Ashcroft fez esta peça [de Duras], que vi no Royal Court, em Londres, em 1975/76”, explicou o encenador dos Artistas Unidos, na apresentação da obra.

Entretanto, o também diretor daquela companhia tinha descoberto a tradução de Rebello, inédita em edição livreira, e recuperou-a, confirmando então a ideia de que esta obra “é dos diabos”, explicou.

A escritora francesa construiu o drama da “amante inglesa” a partir de um crime autêntico de que teve conhecimento em 1949: uma mulher que matara o marido, o esquartejara, e atirara os pedaços do cadáver para cima de comboios de mercadorias, que passavam por baixo de um viaduto em Savigny-sur-Orge.

A partir deste crime, Duras escreveu um romance “A amante inglesa” e uma peça de teatro com quatro personagens. A versão final da escritora data dos anos de 1970 e conta com três personagens, explicou Silva Melo. “Significa que Duras esteve para aí 20 anos obcecada com esta história. Vai de 1949, quando descobre o crime, a 1971/72 quando é feita a terceira versão”, indicou Silva Melo. Daí que a peça apresente algumas contradições que Jorge Silva Melo não retirou da versão que leva ao palco.

Na tradução de Luiz Francisco Rebello, a peça intitula-se “Quem é esta mulher?”. Um título que Jorge Silva Melo diz estar muito correto, uma vez que o que se pretende questionar na peça é quem é afinal esta mulher que matou, esquartejou e atirou os pedaços do cadáver do marido para cima de comboios de mercadorias.

Abordar a fronteira do mal e questionar onde começa a loucura e o crime são questões patentes no drama, à semelhança do que Truman Capote fizera com “A sangue frio”, sobre o assassinato de uma família, no Kansas rural, e Michel Foucault, que estudou, em “Eu, Pierre Rivière que degolei a minha mãe, a minha irmã e o meu irmão”, um caso ocorrido em França no início do século XX.

“Que comportamentos são estes? Como é que somos tão banais?”, são outras questões subjacentes na peça que retrata igualmente a solidão de um casal onde já não há espaço para afetos.

Protagonizada por Isabel Munõz Cardoso, João Meireles e Pedro Carraca, a peça vai estar em cena esta sexta-feira e sábado, às 21h30. A peça volta a ser posta em palco nos dias 18 e 19 de janeiro, em Aveiro, e no Cacém, no dia 26 do mesmo mês.

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