BES

Morais Pires vai recorrer de multa de 1,2 milhões de euros do Banco de Portugal no caso BES Angola

Banco de Portugal condenou oito dos 18 acusados no caso BES Angola, tendo sido as infrações mais graves atribuídas aos administradores Ricardo Salgado e Morais Pires.

O ex-administrador do BES Amílcar Morais Pires vai recorrer de multa de 1,2 milhões de euros do Banco de Portugal no caso BES Angola

Miguel Lopes/LUSA

O ex-administrador do BES Amílcar Morais Pires anunciou na quinta-feira que vai recorrer da decisão do Banco de Portugal de o condenar a pagar 1,2 milhões de euros por alegadas infrações no caso BES Angola (BESA). O Expresso noticiou na quinta-feira que o Banco de Portugal condenou oito dos 18 acusados no caso BES Angola, sendo as infrações mais graves as atribuídas aos administradores Ricardo Salgado (condenado a 1,8 milhões de euros) e Morais Pires (1,2 milhões de euros).

Em comunicado, Amílcar Morais Pires afirmou que vai recorrer da decisão do Banco de Portugal para “o único tribunal competente”, acusando a instituição de pretender criar na opinião pública “uma perceção de condenações e julgamentos definitivos pelos tribunais”.

Segundo o Expresso, o supervisor “considera que ficou provado que estes administradores atuaram de forma dolosa para esconder do regulador e dos restantes membros da administração os problemas que o BESA enfrentava”. Para Amílcar Morais Pires, trata-se de uma decisão “perversamente injusta e notoriamente interessada”.

“A intervenção que tive no Banco Espírito Santo Angola foi a de pôr a funcionar bem, entre 2012 e 2013, o que anteriormente tinha sido posto a funcionar mal por Álvaro Sobrinho, como bem sabe o Banco de Portugal”, lê-se no comunicado.

Acusa ainda o Banco de Portugal e os administradores de tentarem encontrar bodes expiatórios para “o ato gravíssimo e extremamente danoso para o Estado português que cometeram em julho/agosto de 2014, quando controlavam o BES”.

Morais Pires refere que já intentou uma ação a este respeito e reitera que esse ato foi “o de não terem feito acionar, tendo antes deixado revogar, a garantia soberana de 5,7 mil milhões de dólares (cerca de 4,2 mil milhões de euros)”.

Valor esse que — prossegue — “a República de Angola, em grande medida devido à minha intervenção junto dos mais altos órgãos do Estado angolano, concedeu em 31.12.2013 ao grupo BES, em geral, e ao Banco Espírito Santo Angola, em particular”.

O ex-responsável pelo banco diz que a perda daquele valor, além do prejuízo em si, contribuiu “e muito” para o montante de quatro mil milhões de euros que o Estado português teve de pôr no Novo Banco. O ex-presidente do BES Ricardo Salgado vai também recorrer da condenação do Banco de Portugal, relativa ao pagamento da multa de 1,8 milhões de euros.

A decisão foi igualmente transmitida num comunicado, no qual acusa o banco central de não ser imparcial. Vários órgãos de comunicação social noticiaram na quinta-feira que o Banco de Portugal já decidiu as condenações. Contactado pela Lusa sobre estas sanções, a entidade afirmou apenas que não comenta processos de contraordenação.

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