De Mário Centeno, ministro das Finanças português, para Mário Centeno, presidente do Eurogrupo. É assim que Mário Centeno fala em entrevista ao DN/TSF, publicada este sábado, onde se desdobra em elogios ao seu outro “eu”. O “desempenho de Portugal face às metas europeias está muito associado à minha eleição como presidente do Eurogrupo”, diz, afirmando que Centeno-ministro e Centeno-líder do Eurogrupo falam um com o outro “pelos números que vão mostrando”. O resultado melhor do que seu mandato, na sua opinião, é o  facto de hoje em dia Portugal já não ser “tema de discussão no Eurogrupo”, o que não acontecia quando chegou ao cargo, há um ano.

“Temos mostrado que estamos sempre muito para além e temos melhores resultados do que os que a Comissão Europeia a priori avalia. Este desempenho está muito associado à minha eleição como presidente do Eurogrupo, à valorização que é hoje feita de Portugal naquele fórum, e isso deixa-me muito contente”, começa por dizer, acrescentando depois que o elogio não vai só para si, mas vai sobretudo para “os portugueses”. São esses resultados, diz, que têm “permitido que o país tenha um prémio de dívida inferior ao da Itália e esteja a muito poucos pontos base e Espanha”, e são esses resultados que provam que “o mercado acredita muito na trajetória portuguesa”.

Questionado sobre o facto de, na discussão das carreiras da função pública, os sindicatos quererem muito mais do que o governo tem para oferecer, Mário Centeno refugiou-se no seu papel de presidente do Eurogrupo e não desvendou nada do processo negocial, limitando-se apenas a dizer que, em política económica, ganha-se quando se cumpre os resultados inicialmente estimados. “Em política económica e nestas negociações, o caminho pode ser mais ou menos difícil – nunca é muito fácil – mas ganha-se ou não se ganha quando seguimos o caminho que desenhámos e apresentámos”, diz, sublinhando o poder da “previsibilidade e da estabilidade”.

Num dos raros momentos em que falou como ministro das Finanças, Mário Centeno disse que em “outubro”, altura em que haverá eleições legislativas, os portugueses vão ser novamente chamados a “escolher”, e é essa escolha que definirá “o resto da trajetória”. “Foi essa batalha que ganhámos ao longo desta legislatura: apresentámos um caminho, ele foi seguido à risca, quem não acreditava nele de início viu que o governo estava a seguir esse caminho e foi-se juntando à ideia de que este é o caminho. Esse é o valor mais importante que Portugal conquistou nos últimos tempos”, disse.

Sobre a reforma do euro, Centeno faz um balanço positivo, mas lamenta que haja mais riscos externos. É o caso “do Brexit, da situação orçamental italiana e das decisões ao som de tweets da administração americana [dos Estados Unidos]”, diz, considerando que são decisões “legítimas” mas que causam alguma “frustração” porque “podia ser diferente”.