Timor-Leste

Empresários estrangeiros receiam agravamento económico em Timor-Leste

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Timor-Leste voltou a começar 2019 em duodécimos depois do atraso na aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) que está agora com o Presidente da República, que tem até 23 de janeiro para promulgar.

ANTONIO DASIPARU/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Empresários estrangeiros com investimentos em Timor-Leste mostraram-se este sábado preocupados que a situação política no país possa este ano voltar a ter um impacto negativo na economia nacional, afirmando que muitas empresas não vão aguentar.

Eu falo com os meus amigos empresários. Não aguentamos mais. Eu próprio tenho estado a sofrer. Em 2018 perdi dinheiro e, a perder esses valores, se continuar este ano, estou acabado”, disse à Lusa Clarence Lim, responsável máximo do grupo Kmanek, que conta com dois grandes supermercados na capital.

“Por isso peço por favor: façam alguma coisa. Ajudem o setor privado a sobreviver”, apelou aos líderes políticos do país. Timor-Leste voltou a começar 2019 em duodécimos depois do atraso na aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) que está agora com o Presidente da República, que tem até 23 de janeiro para decidir se veta ou promulga o documento.

Apesar de ter um Governo com maioria absoluta — saído das eleições antecipadas do ano passado, convocadas depois da dissolução do parlamento eleito em 2017 –, um veto presidencial poderia causar grande instabilidade política e económica.

Isso agravaria a situação económica do país onde o recuo nos gastos públicos — o país esteve no ano passado nove meses em duodécimos — está a ter um impacto devastador no emergente setor privado nacional. Clarence Lim admite que a situação tem sido “muito dura”.

“As coisas têm sido muito duras. Em 2018, comparativamente a 2017, recuámos mais 20% em média. Na primeira metade do ano tivemos uma queda de 17%. Depois, no segundo semestre, foi ainda maior, de cerca de 25%”, disse.

“Este ano começou já com quedas de 35% comparativamente a 2017”, sublinhou o empresário que tem no grupo 30 trabalhadores internacionais, 200 timorenses e compra a mais de 500 grupos de agricultores. Aos políticos, Lim pede para que “trabalhem para criar um ambiente mais favorável para o setor privado” e explica que dificilmente conseguirá manter todos os trabalhadores se a situação não mudar.

“Devem melhorar a burocracia, desde o topo até alfândegas e demais. Para que os investidores, os empresários não tenham que continua a enfrentar estes obstáculos constantes”, defendeu. Tony Jape, responsável do maior centro comercial de Timor-Leste, o Timor Plaza — e que emprega mais de 350 pessoas — concorda, afirmando que 2018 “foi o ano mais duro” para a economia nacional.

“Vimos muitos negócios a fechar. Felizmente aqui conseguimos manter os nossos inquilinos. Mas sabemos que eles próprios estão a passar um mau bocado”, disse.

Os que lidam com o Governo, em especial, sentem grandes problemas e estão há sete ou oito meses sem receber. Isso torna muito difícil que consigam pagar a renda e os seus custos”, sublinhou. Jape diz que muitos dos empresários com quem fala estão “a ter que despedir pessoas ou a usar menos trabalhadores e isso não é um bom sinal”.

Toda a gente está a cortar funcionários. Espero que isto não dure muito. Precisamos que o OGE seja aprovado para que a economia avance. Há mais empresas a fechar do que a abrir”, declarou.

“É impossível aguentar outro ano. Nenhum país aguentaria isso”, afirmou.

Jape apela aos políticos para que repitam o modelo do passado “em que trabalharam bem juntos”, sentando-se para “conversar e decidir o que fazer para o futuro” de Timor-Leste.

“Eu continuo empenhado. Temos planos a longo prazo e esperamos que isto se resolva. Mesmo em momentos duros, temos que continuar a procurar oportunidades”, concluiu.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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