A decisão de avançar com a produção do Urus, o primeiro SUV da Lamborghini, foi uma manobra arriscada e muito “mastigada” pela administração, preocupada em não diluir a imagem do construtor de veículos desportivos. Mas revela-se cada vez mais um sucesso. Em 2018, a casa de Sant’Agata Bolognese facturou 5.750 veículos novos, um incremento de 51% face aos 3.815 carros vendidos em 2017. Destas novas vendas, 1.761 foram Urus.

É sempre problemático quando um construtor, que se impôs a conceber e a fabricar superdesportivos, nada daqueles modelos mais baratos com motores de quatro ou seis cilindros, mas sim animados por exuberantes e nobres motores V10 e V12, à semelhança da Ferrari, decide enveredar pelo “reino” dos SUV. E por dois motivos, primeiro porque as vendas aumentam, beliscando a exclusividade do fabricante, depois porque a produção passa a concentrar-se em veículos de índole mais familiar, mais volumosos e menos desportivos, totalmente o oposto da filosofia que celebrizou a marca.

Consciente desta realidade, a Lamborghini preocupou-se em, por um lado, conceber o SUV mais desportivo e potente do mercado, assumindo-se como a nova referência. E, por outro, em dotá-lo com uma estética que o diferenciasse da ‘matilha’ de SUV mais dinâmicos, mas numa associação tão próxima quanto possível aos Huracán e Aventador.

“A opção pelo Urus não deteriorou a apetência pelos nossos superdesportivos, mas alargou imenso as vendas, bem como a aceitação da marca especialmente junto de uma geração mais nova, tendo elevado os nossos seguidores nas redes sociais para os 32 milhões”, realça Stefano Domenicali, o CEO da Lamborghini que até há bem pouco tempo dirigia a equipa da Ferrari na F1.

O modelo mais vendido continua a ser o Huracán, que em 2018 comercializou 2.780 unidades (mais 5%), seguido do Urus e do Aventador (mais 3%), com 1.209 veículos. O maior mercado continua a ser o americano (1.595 unidades), seguido do britânico (636), japonês (559), chinês (342) e italiano (295).

Mencionando apenas o volume de vendas, a marca italiana não divulgou os lucros obtidos em 2018. Sendo que ao estar integrada no Grupo Volkswagen, à semelhança da Audi, Bentley e Porsche (só para mencionar as mais luxuosas), o lucro que estes construtores anunciam é mais uma questão estratégica do que real. Se o acordo fiscal que têm com o Governo italiano favorecer a deslocação dos lucros para Itália, então é fácil fornecer plataformas e mecânicas por preços reduzidos, para incrementar os lucros de Sant’Agata Bolognese, optando pela estratégia inversa caso o objectivo seja concentrar os ganhos na Alemanha.

De todas as formas, é fácil as marcas pequenas do Grupo Volkswagen declararem lucros elevados, especialmente se forem os emblemas de maior volume, como a Audi e a Volkswagen, a suportarem a parte de leão dos custos inerentes ao desenvolvimento dos motores e chassis. Mas o mais importante, para a Lamborghini, é que a decisão de produzir o Urus foi um sucesso. E isso, curiosamente, animou os vizinhos da Ferrari, que temiam eventuais prejuízos pela entrada no mercado dos SUV – o que a Lamborghini provou ser uma boa aposta, se bem aplicada.