O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escondeu os detalhes da conversa que teve com o presidente russo, Vladimir Putin, no ano passado, chegando mesmo a obrigar o seu próprio tradutor, presente no encontro, a dar-lhe os apontamentos que tinha tirado, e proibindo-o de comentar os assuntos discutidos no encontro com outros membros da administração norte-americana.

De acordo com o jornal norte-americano The Washington Post, este episódio aconteceu quando Trump se encontrou com Putin em Hamburgo, à margem de uma reunião do G20. Presente na reunião esteve também o então secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, que partilhou as únicas informações públicas sobre o encontro.

Foi quando alguns altos funcionários da Casa Branca se dirigiram ao intérprete para obter mais dados sobre a reunião que souberam que o presidente norte-americano tinha ficado com os apontamentos.

Mas o The Washington Post explica que este não é o único encontro entre os dois líderes sobre o qual não há informações. Na verdade, o presidente norte-americano tem impedido não apenas o público em geral, mas também a maioria dos altos funcionários do governo, de saber o que discute com o presidente russo.

Segundo fontes do governo norte-americano ouvidas pelo mesmo jornal, não há registos detalhados, nem mesmo em ficheiros classificados, de nenhum dos encontros de Trump com Putin. Nunca antes tinha acontecido com nenhum outro presidente.

O presidente dos EUA, porém, negou numa entrevista à FOX News ter escondido os detalhes da reunião.

Trump negou também ter trabalhado em segredo para a Rússia, afirmando que essa foi a pergunta “mais insultuosa” que alguma vez lhe foi feita.

A pergunta do jornalista surgiu na sequência de uma notícia publicada na última sexta-feira no jornal norte-americano The New York Times, que dava conta de que em 2017 o FBI abriu uma investigação sobre suspeitas de o presidente dos EUA estar secretamente a trabalhar para a Rússia.

A investigação foi aberta depois de Trump ter despedido o antigo diretor do FBI, James Comey. Na altura, as autoridades terão considerado estranho o comportamento do presidente e desconfiaram que Trump poderia estar a trabalhar contra os interesses norte-americanos, em favor da Rússia.