As autoridades de Macau anunciaram esta terça-feira um plano de prevenção dos incêndios com utilização de ‘drones’ e de um mapa eletrónico de monitorização dos meios de combate, no âmbito da construção da cidade inteligente.

“O Corpo de Bombeiros tem vindo a envidar todos os esforços para acompanhar o projeto ‘Governo inteligente'” e “já começou o desenvolvimento dos trabalhos de combate a incêndios de maneira inteligente”, disse o comandante do Corpo de Bombeiros Leong Iok Sam, durante uma apresentação aos jornalistas.

Em 2019, as autoridades pretendem criar uma plataforma eletrónica com a “localização do pessoal e dos veículos de emergência”, assim como um mapeamento “das bocas-de-incêndio, das fontes de água, entre outros”, explicou o comandante.

Ainda este ano, as autoridades do território vão adquirir “dois ou três ‘drones”, em fase de teste, para uma prevenção e atuação, mais inteligente, nos incêndios no território, que em 2018 aumentaram 7,93% em relação ao período homólogo do ano anterior, de acordo com dados oficiais apresentados pelo Corpo de Bombeiros.

No ano passado, o território registou o maior número de incêndios dos últimos quatro anos (1.116), grande parte deles causados por fugas de gás em habitações ou em restaurantes.

As medidas agora anunciadas fazem parte das ambições do Governo em fazer do território uma cidade inteligente. Para isso, assinou um acordo-quadro com o grupo Alibaba, em agosto de 2017, para o estabelecimento de um centro de computação em nuvem [conjunto de servidores remotos alojados na Internet para armazenar, gerir e processar dados em vez dos servidores locais ou de computadores pessoais] e de uma plataforma de megadados para melhorar a eficiência em áreas como transportes, turismo, saúde, administração e segurança.

O centro de computação em nuvem custou cerca de 200 milhões de patacas (cerca de 22 milhões de euros), de acordo com as autoridades.

Durante a apresentação aos jornalistas, Leong Iok Sam apontou ainda que o número total de ocorrências no território em 2018 (47.327) diminuiu 1,27% em relação a 2017, já que o Corpo de Bombeiros recebeu menos ocorrências aquando da passagem do tufão Mangkut, em comparação com o tufão Hato, em 2017.

A maioria das ocorrências com a passagem de tufões dizem respeito ao “salvamento de pessoas presas, tratamento de inundações em auto-silos, limpeza de queda de objetos, pessoas presas em elevadores, quadros elétricos queimados, desabamentos, acidentes de viação e emergências médicas”, sublinhou o comandante.

Em meados de setembro, o tufão Mangkhut provocou 40 feridos e inundações graves no território, onde o sinal máximo de tempestade tropical esteve içado várias horas e mais de 5.600 pessoas tiveram de ser retiradas das habitações, após uma megaoperação da proteção civil que chegou a colocar no território 16 abrigos, com capacidade para acolher cerca de 24 mil pessoas.

Números que contrastam com os registados na passagem do Hato, em agosto de 2017, que provocou dez mortos e 240 feridos.