Transportes

Transtejo e Soflusa com 2.500 reclamações e 55% de operacionalidade em 2018

O ano de 2018 para a Transtejo e a Soflusa foi um ano marcado pela contestação dos utentes, devido a atrasos e supressões, e em que a frota registou uma taxa de operacionalidade de 55%.

TIAGO PETINGA/LUSA

A Transtejo e a Soflusa registaram 2.500 reclamações de passageiros em 2018, um ano marcado pela contestação dos utentes, devido a atrasos e supressões, e em que a frota registou uma taxa de operacionalidade de 55%. Numa resposta enviada à agência Lusa, fonte das empresas (geridas pela mesma administração) referiu que, até 19 de dezembro, só tinham entrado nos serviços 2.500 reclamações, sem, contudo, especificar os motivos das mesmas.

O início do mês de dezembro foi marcado, à semelhança de outros, por variados protestos dos utentes contra a supressão de barcos, sobretudo na ligação fluvial entre o Seixal e Lisboa, devido à falta de navios para operar. Em 11 de dezembro, dezenas de pessoas descontentes com a falta de navios invadiram, pela porta de desembarque, um barco da Transtejo que iria fazer a ligação Seixal-Lisboa, tendo este sido impedido de sair pela Polícia Marítima por excesso de lotação.

Na altura, a presidente da Transtejo e da Soflusa, Marina Ferreira, explicou que a ligação fluvial Seixal-Lisboa tinha sido reforçada com um barco desviado de Cacilhas, referindo que as pessoas foram transportadas em segurança. A responsável reconheceu a falta de navios e de recursos humanos, mas sublinhou que a segurança das pessoas não podia ser colocada em causa.

Segundo a resposta enviada à Lusa, a frota atual da Transtejo/Soflusa é composta por 25 navios e registou, igualmente até ao dia 19 de dezembro, uma taxa de operacionalidade de 55%. Os navios que compõem a “frota indisponível para serviço público são navios em reparação (por avaria) e navios em processo de renovação de certificado de navegabilidade”, pode ler-se.

O Conselho de Ministros aprovou na semana passada o plano de renovação da frota da Transtejo, que inclui a compra de dez novos barcos, devendo o primeiro catamarã entrar em circulação a partir do final do próximo ano.

O número de viagens tem vindo a diminuir desde 2015, ano em que se realizaram 134.603 viagens diárias, contra as 133.573 em 2016 e as 130.971 em 2017. No ano passado, e segundo dados referentes a outubro fornecidos pelas empresas, tinham sido efetuadas 109.812 viagens nas diferentes travessias fluviais.

A Transtejo assegura as ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão e Lisboa, enquanto a Soflusa é responsável por ligar o Barreiro à capital. Quanto aos passageiros transportados, o ano de 2017 foi aquele em que se registou um maior número, com 16.781.042 pessoas a fazerem a ligação entre as duas margens.

A travessia Barreiro-Terreiro do Paço, com 7.955.909 passageiros, foi aquela em que se registou um maior número de utentes. Em 2015, 15.583.630 pessoas utilizaram as ligações fluviais, enquanto em 2016 o número subiu para 16.054.071. Em relação a 2018, foram transportados, até outubro, 14.700.077 pessoas, igualmente com a ligação entre o Barreiro-Terreiro do Paço a registar um maior número de utentes: 6.931.785.

A Soflusa — Sociedade Fluvial de Transportes é também uma sociedade anónima de capitais públicos, detida a 100%, desde 2001, pela Transtejo — Transportes do Tejo, constituindo-se, assim, como sua participada.

Atendendo ao facto de a Transtejo ser detentora da totalidade do capital social da Soflusa e de ambas as empresas se dedicarem à mesma atividade e de terem sido, desde o primeiro momento, identificados a conveniência e benefícios de uma gestão comum, foi estabelecida a acumulação de cargos, por parte dos membros do Conselho de Administração da Transtejo, nomeados pelo acionista único, nas suas empresas participadas.

Desta forma, em 30 de dezembro de 2016, o Governo nomeou como membros do conselho de administração da Transtejo Marina Ferreira (presidente) e Sara Murta Ribeiro (vogal). José Bagarrão foi até dezembro passado vogal da administração, com responsabilidade pela componente operacional, tendo sido exonerado do cargo pelo Governo.

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