Olhando com a devida distância temporal, a temporada de 2004/05 acaba por ser uma espécie de oásis numa carreira marcada por sucessos atrás de sucessos ao longo de mais de década e meia. É certo que em 2009/10 Cristiano Ronaldo também não teve nenhum troféu para celebrar mas esse primeiro ano de Real Madrid, onde marcou 33 golos em 35 jogos, acabou por transformar-se numa espécie de adaptação ao papel de jogador mais caro do mundo numa nova realidade onde chocou com a melhor versão do Barcelona de Pep Guardiola. Na supracitada época, o português perdeu a final da Taça de Inglaterra nos penáltis frente ao Arsenal, caiu nas meias-finais da Taça da Liga com o Chelsea, terminou a Premier League no terceiro lugar e teve uma saída precoce da Champions logo nos oitavos. Carrasco? AC Milan. O mesmo clube que se tornaria especial na sua carreira.

Nessa eliminatória, os rossoneri liderados por Carlo Ancelotti (que viria a ser seu treinador uns anos depois em Madrid) foram apurados com dois triunfos pela margem mínima, ambos com golos de Hernán Crespo. Estávamos então em 2005; daí para cá, Ronaldo tornou-se um verdadeiro quebra-cabeças ainda sem resolução para o conjunto italiano, que podia mudar de clube e país mas conseguiu ir deixando marca nos confrontos com o AC Milan: em 2006/07, nas meias-finais da Champions, o português marcou um dos golos no triunfo por 3-2 da primeira mão (em San Siro, os transalpinos ganharam por 3-0); em 2010/11 fez um dos golos do Real Madrid na vitória por 2-0 na fase de grupos no Santiago Bernabéu; esta temporada, apontou um dos golos do triunfo da Juventus em San Siro por 2-0 no Campeonato. Seguiu-se a conquista da Supertaça.

Jeddah será sempre um ponto especial na carreira do capitão da Seleção por ter sido aí que conseguiu o primeiro troféu pela Juventus, o quarto clube que tem como sénior depois de Sporting, Manchester United e Real Madrid. No entanto, existem outras cidades que ficarão para sempre gravadas na história dos 27 títulos coletivos de Cristiano Ronaldo até ao momento: Setúbal, por ter sido o primeiro; Cardiff, por ser aquela onde mais vezes festejou; Paris, que se tornou eterna depois do golo apontado por Éder na final do Campeonato da Europa de seleções; Moscovo, por ter conseguido a primeira Champions da carreira; Lisboa, por ter ganho a primeira Liga dos Campeões pelo Real Madrid no seu país. Entre Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, País de Gales, Rússia, Ucrânia, Macedónia, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Japão, junta-se agora mais um país no historial do número 7: a Arábia Saudita. E estas são as imagens dessas 27 festas do português.