Anualmente, o concurso Pwn2Own desafia piratas informáticos, os chamados hackers, a derrubarem as barreiras de segurança e a entrarem nos mais díspares sistemas. E quanto mais difícil, melhor. Sabendo disso, a Tesla decidiu sujeitar o Model 3, o seu eléctrico mais acessível, a esta dura prova, com o objectivo não só de testar a segurança da tecnologia a bordo, mas sobretudo de identificar as suas falhas e vulnerabilidades – o que pode ser mais ou menos grave, consoante a intrusão, pois uma entrada no sistema de infoentretenimento do veículo não trará os mesmos riscos que um controlo remoto do Autopilot, o sistema de condução semiautónoma da marca de Palo Alto.

O objecto a ser violado é oferta da casa, literalmente. A Tesla põe à disposição dos piratas um Model 3 e quem revelar mais talento para expor as brechas de hardware e de software do eléctrico, pode ir para casa com o carro que acabou de invadir. Mas na maior das legalidades.

Para despertar o engenho dos concorrentes, há uma óbvia motivação monetária, com a competição a prever um envelope global no valor de 900 mil dólares, que serão distribuídos consoante a habilidade. Por exemplo, quem conseguir infiltrar-se no Autopilot, no VCSEC (Vehicle Controller Secondary) ou no Gateway do carro será recompensado ​​com 250 mil dólares. Trata-se do prémio mais elevado, por se tratarem claramente de áreas críticas em matéria de segurança. Imagine-se o perigo de alguém entrar no Autopilot e desactivá-lo, sem que o condutor fosse notificado. Ou o que poderia fazer um hacker se invadisse o VCSEC, que agrega diversas funções de segurança. Já os mais versados em conseguir destrancar o Model 3 e accionar a ignição sem serem os legítimos donos da chave também ganham bem: 100 mil dólares. Um simples hack pode render 35 mil dólares, permanecer no sistema dá direito a 50 mil.

Esta não é a primeira vez que a Tesla decide premiar hackers pelos bons serviços prestados, apontando brechas que possam colocar em causa a segurança de condutor e passageiros. Aliás, outros construtores (como a FCA) têm seguido o exemplo da companhia fundada por Elon Musk, que nos últimos quatro anos implementou um programa de recompensas para quem detecte falhas nos Tesla.

É a primeira vez que um construtor de automóveis participa num evento reservado a ‘hackers éticos’. O concurso realiza-se em Março, em Vancouver, e todas as vulnerabilidades lá identificadas terão de permanecer em sigilo até que sejam corrigidas.