Taça de Portugal

Um passo mais perto de afastar os fantasmas (a crónica do Feirense-Sporting)

O Sporting esteve na Feira num modo intermédio, entre vertiginoso e cauteloso, e está na meia-final da Taça. Passo a passo, os leões vão ficando mais perto de afastar os fantasmas de maio passado.

Bruno Fernandes e Wendel marcaram os golos dos leões em Santa Maria da Feira

LUSA

A Taça de Portugal é um troféu especial para o Sporting. E o clube demonstra isso mesmo sempre que entra em campo para disputar jogos da competição, ao utilizar a camisola Stromp, uma camisola que só sai do roupeiro para a Taça de Portugal. A Taça traz boas memórias ao Sporting. Ou trazia. Porque desde 20 de maio de 2018 que a Taça recorda coisas e fases que o Sporting não quer lembrar. Naquele domingo, cinco dias depois do dia mais negro da história dos leões, o Sporting perdeu a final do Jamor e atingiu o nível mais alto de uma crise até aos dias de hoje. Esta temporada, a Taça de Portugal significa para os leões o afastar dos fantasmas que, desde maio, assombram Alvalade.

Na conferência de imprensa de antevisão da visita ao Feirense, Marcel Keizer fez o que os treinadores de FC Porto, Benfica e Sporting tinham de fazer esta semana: queixou-se do elevado nível competitivo e de três semanas consecutivas a jogar de três em três dias para três competições internas diferentes. Este discurso, aliado ao facto de Diaby não constar da convocatória para o encontro dos quartos de final da Taça de Portugal, fazia antever que o holandês fizesse várias poupanças e desse minutos aos menos utilizados. Mas Keizer terá sentido que a Taça é especial — que é importante. E por isso viajou até Santa Maria da Feira na máxima força, com Raphinha titular no lugar de Diaby, Salin no lugar de Renan, Ristovski em vez do lesionado Bruno Gaspar e Acuña de regresso à esquerda da defesa, depois de cumprir castigo frente ao FC Porto, em detrimento de Jefferson. No banco, o regresso de Miguel Luís aos convocados e a integração do reforço Luiz Phellype.

Ficha de jogo

Feirense-Sporting, 0-2

Quartos de final da Taça de Portugal

Estádio Marcolino de Castro, em Santa Maria da Feira

Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)

Feirense: Bruno Brígido, Diga, Briseño, Nascimento, Tiago Gomes, Marco Soares, Aly Ghazal (Cris, 70′), Vítor Bruno, Tavares (Crivellaro, 68′), Valencia, Steven Petkov (Edinho, 70′)

Suplentes não utilizados: Dele Alampasu, Brian, Sturgeon, Philipe Sampaio

Treinador: Nuno Manta Santos

Sporting: Salin, Ristovski, Coates, Mathieu (André Pinto, 71′), Acuña, Gudelj, Wendel (Petrovic, 79′), Bruno Fernandes, Nani, Raphinha, Bas Dost (Luiz Phellype, 71′)

Suplentes não utilizados: Renan, Jefferson, Jovane, Miguel Luís

Treinador: Marcel Keizer

Golos: Wendel (63′), Bruno Fernandes (66′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ristovski (26′)

Do outro lado, Nuno Manta Santos fazia seis alterações face ao jogo que na última jornada do Campeonato empatou com o Desp. Aves e acabou obrigado a realizar sete: Babanco lesionou-se ainda no aquecimento e deu lugar a Marco Soares, enquanto que Sturgeon passou de não convocado a suplente. À entrada para o jogo, Feirense e Sporting sabiam que, qualquer que fosse o vencedor, o adversário das meias-finais seria o Benfica, que esta terça-feira eliminou o V. Guimarães (FC Porto e Sp. Braga vão disputar o outro lugar na final do Jamor).

Depois do Sporting mais cauteloso e defensivo que, no passado sábado, enfrentou o FC Porto, a expectativa pairava sobre se os leões iriam regressar à vertigem ofensiva e à filosofia atacante ou se a coesão defensiva e o jogo mais organizacional tinha chegado para ficar. A resposta foi algo no meio. A equipa de Marcel Keizer entrou bem no jogo, com remates fortes de Nani e Wendel e transições perigosas de Raphinha, que só não deram golo porque Brígido, que esta quarta-feira jogou porque Caio Secco está lesionado, cumpriu uma primeira parte digna de ser emoldurada. O Sporting surgiu em superioridade numérica diversas vezes — muito graças ao facto de Diga, na direita da defesa, ter estado frequentemente desapoiado face às subidas de Valencia — mas teve dificuldade em construir a partir de Bruno Fernandes, sempre muito pressionado, e em servir Bas Dost, devido à fraca qualidade dos cruzamentos.

[Carregue nas imagens para ver os melhores momentos do Feirense-Sporting:]

A partir de meio do primeiro tempo, Manta Santos trocou os médios de flanco e chamou Valencia para a esquerda do ataque, colocando Vítor Bruno na direita. A mudança bateu com o momento em que o Sporting perdeu algum ascendente e os fogaceiros aproveitaram para ganhar metros no relvado e reagir ao bom arranque leonino. O primeiro aviso surgiu depois de uma jogada de envolvimento pela esquerda, onde Mathieu impediu estragos maiores, e a derradeira oportunidade só não se materializou porque Salin foi mais rápido do que Valencia a chegar ao segundo poste.

Pouco depois dos 30 minutos, numa altura de maior desinspiração, onde só as bolas paradas causavam calafrios de maior a Brígido, o Sporting acabou por inaugurar o marcador: mas o golo foi anulado. Bas Dost subiu ao terceiro andar para responder a um canto batido por Bruno Fernandes na direita mas Fábio Veríssimo entendeu que o holandês fez falta sobre Bruno Nascimento para conseguir chegar à bola. Os leões ainda podiam ter marcado mesmo antes do intervalo, numa jogada a dois tempos onde Bruno Fernandes tentou primeiro e Dost tentou depois mas Brígido disse que não aos dois, mas o encontro foi mesmo para o descanso sem qualquer golo a alegrar a ficha de jogo.

Na entrada para a segunda parte, o Sporting rapidamente fez entender que tinha voltado do balneário para fazer golos. Sem nunca ser asfixiante, sem nunca encostar o Feirense às cordas por completo, sem nunca imprimir uma velocidade acima da média, a equipa de Marcel Keizer soube aproveitar as alas e puxar o jogo dos corredores para dentro, por intermédio de Wendel e Bruno Fernandes, com Nani a assumir uma posição mais central e de apoio direto a Bas Dost. As oportunidades sucederam-se e o golo estava à espreita: Bas Dost esteve perto (51′), Nani cabeceou ao lado (55′), Bruno Fernandes atirou cruzado (59′) e o mesmo Nani rematou ao lado (62′). Na jogada que se seguiu ao remate do capitão, Wendel achou que estava na hora de decidir sozinho.

O médio brasileiro tirou dois defesas do Feirense da frente, veio da esquerda para o centro e rematou para o poste mais distante, sem qualquer hipótese para Brígido. Wendel celebrou, dançou com Raphinha, Keizer mostrou os poucos dotes de português que já adquiriu e gritou “vamos” e Bruno Fernandes não o fez esperar muito. Logo na jogada seguinte ao golo de Wendel, o médio português ganhou um ressalto depois de um canto à entrada da área, encheu o pé e atirou de primeira para o fundo das redes do Feirense. Em poucos mais de dois minutos, o Sporting resolveu um jogo que nunca esteve complicado mas que podia complicar-se com o passar dos minutos e o marcador em branco.

O Feirense reagiu e Nuno Manta Santos lançou Edinho, Cris e Crivellaro para tentar lutar pelo prolongamento mas as investidas nunca foram perigosas nem organizadas o suficiente para assustar Coates e Mathieu que, mais uma vez, cometeram poucos erros no eixo da defesa. Marcel Keizer viu o jogo controlado e decidiu dar então início às poupanças, estreando Luiz Phellype para fazer descansar Dost (que atravessa claramente uma fase de quebra anímica que o tem alheado dos golos), lançando André Pinto para render Mathieu e ainda colocando Petrovic no lugar de Wendel, substituição que, mais do que para tirar o brasileiro, serviu para inverter o triângulo do meio-campo e deixar Bruno Fernandes gerir o esforço dentro de campo, tornando-o isento das transições defensivas.

Os leões controlaram até ao final e à exceção de uma oportunidade de Crivellaro, a cinco minutos do apito final, o Feirense nunca conseguiu assustar verdadeiramente Salin. Numa espécie de meio termo entre o Sporting vertiginoso dos primeiros jogos da era Keizer e o Sporting cauteloso do clássico com o FC Porto, a equipa de Alvalade soube vencer de forma tranquila e está nas meias-finais da Taça de Portugal, onde vai encontrar o Benfica. Jogo a jogo, eliminatória a eliminatória, o Sporting vai afastando os fantasmas de maio do ano passado e fica cada vez mais perto de voltar ao Jamor e reescrever a história.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mfernandes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)