A União Europeia (UE) estará a preparar a possibilidade de adiar o Brexit para 2020. A notícia está a ser avançada pelo The Times, que dá conta de discussões entre os líderes europeus sobre o tema. A solução terá começado a ser ponderada depois de França e Alemanha se terem mostrado disponíveis para estender as negociações com o Reino Unido.

O novo cenário começou a desenhar-se perante o impasse no parlamento britânico que, na terça-feira, chumbou o acordo fechado entre Theresa May e a UE, e no dia em que a primeira-ministra sobreviveu à moção de censura apresentada pelo Partido Trabalhista. O The Times diz mesmo que o prolongamento do prazo começou a ser discutido por causa “da extensão da derrota de May” quanto ao acordo.

A data oficial do Brexit é o dia 29 de março. A possibilidade de uma adiamento já tinha sido admitida, no fim de semana, mas apenas de três meses, ou seja, até ao final de junho. O Guardian diz, porém, que um adiamento maior — até 2020 — só estará em cima da mesa se May garantir o apoio do Partido Trabalhista, que lhe garanta uma base maioritária, para uma relação “mais próxima” com a UE.

Seja como for, terá de ser sempre o Reino Unido a pedir essa extensão. Caso o faça, o ministro das Finanças alemão já disse que o considerará “um pedido razoável”, confirmando o adiamento e segundo a linha do presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro líder a admitir, publicamente, que a decisão fosse adiada para depois das eleições europeias, em maio.

O tema também terá sido discutido por Michel Barnier com membros do Parlamento Europeu, numa reunião na noite de terça-feira, horas depois do chumbo do acordo de May na Câmara dos Comuns, e muda a posição da UE, que defendia que uma extensão do prazo só poderia colocar-se caso houvesse eleições antecipadas no Reino Unido ou um novo referendo ao Brexit.