O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estimou esta quinta-feira que a economia de África cresça 4% este ano e 4,1% em 2020, considerando que “o estado do continente é bom e o desempenho económico geral continua a melhorar”.

O estado do continente africano é bom e o desempenho económico geral de África continua a melhorar, com o crescimento do PIB a atingir 2,5% em 2018, mais ou menos o mesmo que em 2017 e mais 1,4 pontos percentuais que os 2,1% de 2016″, escreve o presidente do BAD, Akinwumi Adesina, na introdução ao relatório ‘African Economic Outlook 2019 [Perspetivas Económicas Africanas 2019], que está a ser apresentado na sede do Banco, em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim.

Para Adesina, “apesar de o crescimento ser maior que noutros países emergentes e em desenvolvimento, continua a ser insuficiente para lidar com os desafios estruturais, os persistentes défices orçamentais e a vulnerabilidade da dívida”.

O desafio, assim, tem uma dupla vertente, diz o antigo ministro da Agricultura da Nigéria: “aumentar o caminho atual de crescimento e aumentar a eficiência do crescimento na geração de emprego”.

O relatório deste ano salienta que a estabilização macroeconómica e a geração de emprego são melhores quando as indústrias lideram o crescimento, “sugerindo que a industrialização é um caminho robusto para a rápida criação de emprego”, acrescenta o presidente do BAD na nota introdutória.

No entanto, lamenta, “as economias africanas têm-se ‘desindustrializado'”, apostando antes no setor dos serviços, “que é dominado pela informalidade, baixa produtividade e por uma incapacidade para criar empregos qualificados”.

A solução, conclui, está na “industrialização e na adição de valor aos abundantes recursos agrícolas, minerais e outros”.

BAD prevê que Angola sai da recessão de 0,7% em 2018

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê que a economia de Angola cresça 1,2% este ano e 3,2% em 2020, depois de recessões de 0,2% em 2017 e 0,7% no ano passado.

Projetamos que Angola saia da recessão, com o Produto Interno Bruto (PIB) real a crescer 1,2% em 2019 e 3,2% em 2020”, lê-se no African Economic Outlook (Perspetivas Económicas Africanas), hoje apresentado em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim.

A recuperação será alicerçada “principalmente pela produção e exportação de diamantes, que deverá crescer 8,2%, agricultura (5%) e construção (2,1%)”, dizem os analistas na parte do relatório especificamente dedicada a Angola, na qual admitem também que o regime cambial possa “acabar por eliminar a diferença entre as taxas de câmbio oficial e paralela”.

Na análise aos principais indicadores macroeconómicos, os analistas do BAD lembram a ligação entre a descida do preço do petróleo, que “fez cair as receitas em mais de 50% entre 2014 e 2017”, e o início da crise económica em Angola e alertam para o perigo da dívida.

“A dívida pública, maioritariamente externa, aumentou de 40,7% do PIB em 2014 para uns estimados 80,5% em 2018, levantando preocupações sobre a sua sustentabilidade”, dizem.

No relatório, o BAD diz que Angola, apesar de ser “um país lusófono ensanduichado entre países anglófonos e francófonos, desempenha um papel vital na África Austral”, sendo membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade dos Países da África Austral (SADC, na sigla em inglês), bem como um dos que assinou o acordo sobre a criação da Zona de Livre Comércio Africana (ZLEC ou ACFTA, na sigla em inglês).

Elogiando os “esforços para abrir as fronteiras”, as novas leis de investimento privado e novos regulamentos que pretendem melhorar a governação e o ambiente económico, o BAD diz que a “alta dependência do petróleo continua a ser um dos principais riscos para a perspetiva de evolução económica” do país, até pela descida de 9% na produção petrolífera na primeira metade do ano passado quando comparada com os primeiros seis meses de 2017.

“A evolução da economia está também ligada à implementação de dois planos de médio prazo, o Programa de Estabilidade Macroeconómica e o Plano Nacional de Desenvolvimento”, concluem os economistas do BAD no capítulo sobre Angola.

Moçambique deve reestruturar a dívida senão aprofunda crise económica

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) alerta que se Moçambique não reestruturar a dívida e restaurar a confiança dos investidores, vai aprofundar a crise económica, que cortou o crescimento esperado para 4,5% este ano e 5% em 2020.

A dívida de Moçambique é problemática [‘distress’, no original em inglês]; um falhanço do acordo de reestruturação da dívida e recuperação da confiança dos investidores pode aprofundar as dificuldades económicas e abrandar o crescimento”, escrevem os analistas do BAD no African Economic Outlook (Perspetivas Económicas Africanas), hoje apresentado em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim.

No documento lê-se ainda que “a forte dependência no endividamento, principalmente interno, tem, não apenas afastado o investimento privado, mas também levou ao problema da dívida”.

Assim, “as principais prioridades políticas deviam incluir uma estratégia ativa de gestão da dívida para restaurar a confiança e medidas para estimular o crescimento económico e a criação de emprego”.

No documento, os analistas dizem que “os principais riscos para o crescimento económico incluem os aumentos dos preços para as principais importações, como o combustível e os alimentos, e as dificuldades económicas na África do Sul, o segundo maior destino de exportações”.

No ano passado, o desempenho económico deverá ter sido 3,5%, “o que é um declínio dramático face à média de 7% de 2004 a 2015”, alerta o BAD, que atribui esta descida “à queda do investimento público e uma redução de 23% no investimento direto estrangeiro entre 2015 e 2017”.

Para este e o próximo ano, o Banco estima uma expansão do PIB de 3,5% e 5%, “impulsionada pela agricultura, que continua a recuperar da seca de 2015-2016, e pelas indústrias extrativas, com as exportações de carvão a continuarem a expandir-se”.

No capítulo dedicado a Moçambique, é elogiada ainda a ligação entre as prioridades do Banco e as políticas do Governo, salientando que as políticas nacionais estão em linha com as cinco principais prioridades do BAD, conhecidas como High 5: Alimentar África, Industrializar África, Integrar África e Melhorar a Qualidade de Vida, para além de Acender África, sendo esta última a única vertente em que o documento não dá exemplos de medidas que Moçambique está a tomar.