PSD

Conselho Nacional deixa a bancada do PSD a funcionar a meio gás

Quando a norte se preparava a batalha que vai decidir o futuro do PSD, a sul, havia uma sessão plenária na AR. Os deputados laranja tiveram de escolher a sua luta.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A campainha do Parlamento tocou às 15h00 em ponto. No hemiciclo, os deputados foram entrando aos poucos, mas cedo se percebeu que na bancada do PSD o desfalque ia ser considerável. A hora marcada para o início do Conselho Nacional do partido que vai votar a moção de confiança à direção de Rui Rio – 17h00 – obrigou os deputados a escolher. Ou bem que iam ao Porto para marcar presença na reunião desta quinta-feira ou bem que ficavam na capital para assistir ao plenário. Alguns, poderão ainda ter optado por uma opção híbrida: participar na fase inicial do debate parlamentar e chegar atrasados ao encontro do maior órgão entre congressos.

Feitas as contas, a bancada do grupo parlamentar do PSD nunca chegou a estar completa. Longe disso. Nunca estiveram, ao mesmo tempo, mais de 43 deputados sociais-democratas na sala. Um número que é, sensivelmente, a metade dos assentos que o partido detém no Parlamento: 89 deputados. A luta a norte causou mossa a sul e já deu os primeiros sinais de rutura, que podem vir a alastrar-se ao longo da tarde e da noite desta quinta-feira.

Quando Jorge Lacão deu início aos trabalhos parlamentares desta quinta-feira estavam presentes cerca de 30 deputados sociais-democratas. A maioria associados ao rioísmo. Desde logo, a direção do grupo parlamentar, encabeçada por Fernando Negrão, que esteve em peso desde o primeiro minuto, ocupando todos os lugares da primeira fila do PSD. Na segunda fila tão pouco havia um lugar vago. Entre as caras que iam compondo uma mancha considerável nas primeiras filas e tentavam disfarçar as cadeiras vazias, António Leitão Amaro, António Topa ou Ricardo Baptista Leite.

As figuras associadas ao passismo ou os deputados críticos de Rui Rio que estiveram presentes na sessão plenária sentaram-se nas últimas filas, como Paula Teixeira da Cruz, José Pedro Aguiar-Branco ou Luís Marques Guedes. Também aqui, a distância entre duas fações internas foi difícil de disfarçar.

Nas restantes bancadas, também se registaram várias ausências, em particular na bancada do PS, que também contou durante grande parte da sessão com apenas meia bancada. O CDS, por exemplo, contava apenas com quatro deputados –  Isabel Galriça Neto, Pedro Mota Soares, Nuno Magalhães e Vânia Dias da Silva – no arranque dos trabalhos. Um número que aumentou de forma substancial: às 16h00 a bancada centrista apresentava-se praticamente completa.

O presidente da mesa do Conselho Nacional do PSD, Paulo Mota Pinto, já tinha anunciado esta semana que os parlamentares que quisessem estar presentes esta tarde no Porto Palácio Hotel tinham a possibilidade de justificar a sua falta ao plenário desta tarde. Uma opção que não agradou, sobretudo, aos críticos de Rui Rio, que rapidamente começaram a exigir a alteração da hora de início da reunião para não terem de faltar ao debate. Algo que foi sendo sempre recusado e associado a um ataque aos críticos do líder.

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