Greve

Nova greve da Soflusa volta a condicionar barcos no Tejo no final de janeiro

Os trabalhadores vão voltar a fazer greve nos dias 28 de janeiro e 4 de fevereiro para reivindicar a progressão de carreiras. A paralisação vai condicionar as ligações fluviais Barreiro-Lisboa.

A nova greve da Soflusa volta a condicionar barcos no Tejo no dia 28 de janeiro e no dia 4 de fevereiro

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Os trabalhadores da área comercial da Soflusa, empresa responsável pelas ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa, vão voltar a fazer greve nos dias 28 de janeiro e 4 de fevereiro, reivindicando a progressão de carreiras, informou fonte sindical.

“As reivindicações continuam a ser as mesmas, a valorização da carreira profissional, a formação, a questão de ética e segurança. Nada foi resolvido, continua tudo na mesma situação e é por isso que convocamos nova greve”, explicou à agência Lusa Carlos Costa, da Fectrans — Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações.

Desde outubro do ano passado que os trabalhadores da área comercial da Soflusa reivindicam a valorização da carreira de agente comercial, a contratação de novos trabalhadores e a formação em novas aplicações a nível de bilheteira, sendo esta a quarta vez que convocam uma greve. Em declarações à Lusa em novembro, Carlos Costa avançou que a “divergência” com um dos sindicados que não é subscritor do pré-aviso de greve dificultou as negociações com a empresa, que teria apresentado uma proposta em relação à valorização de carreiras.

Contactada pela agência Lusa, a presidente da Transtejo e Soflusa, Marina Ferreira, revelou que vê esta greve “com enorme preocupação” e que tem “total disponibilidade para encontrar uma solução”. Segundo a responsável, em junho do ano passado, o Acordo de Empresa foi assinado por todas as estruturas sindicais e que, neste momento, não existindo um processo negocial aberto, “é difícil enquadrar uma reivindicação legítima de valorização salarial de uma carreira específica”.

Quando questionada se a administração teria voltado atrás na proposta apresentada, devido às divergências sindicais, a responsável indicou que “os factos são sempre suscetíveis de muitas interpretações”. “Nós estávamos a negociar um regulamento de carreiras e manifestamos disponibilidade para, no âmbito desse processo negocial em curso, encontrar uma solução para estes trabalhadores. Infelizmente, os processos negociais têm regras e o que sucedeu é que os sindicatos, exceto os subscritores do pré-aviso, entenderam que essa disponibilidade não faria sentido porque havia um Acordo de Empresa”, explicou.

Em relação às outras reivindicações, Marina Ferreira garantiu que a formação solicitada “já foi feita”, assim como as “adaptações ao sistema de bilhética”. A empresa também recebeu uma autorização do Ministério das Finanças para contratação de trabalhadores, “mas não para a área comercial”, apenas para a marítima.

Apesar de Carlos Costa garantir que a Fectrans já fez o pedido de uma nova reunião com a administração, a presidente da empresa disse que “não há reuniões marcadas nem pedidas”. “A disponibilidade da administração é total, sempre, para analisar as soluções não só com os sindicatos subscritores do pré-aviso de greve, mas com todos os sindicatos da empresa. Caso haja algum pedido de reunião serão recebidos, como sempre foram”, frisou.

Marina Ferreira reforçou ainda que a Soflusa “tem vindo a fazer tudo” para limitar o impacto da greve nos passageiros, tendo pedido a marcação de serviços mínimos ao Tribunal Arbitral. De acordo com a empresa, nesta área comercial trabalham cerca de 25 pessoas.

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