Quase metade dos 1.567 presos nas cadeias de Cabo Verde foram condenados por roubos, seguidos da prática de homicídios, segundo dados do primeiro censo prisional divulgado esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) do país.

De acordo com o levantamento, 43% dos presos foram condenados por roubos e 28% por homicídios. O censo aponta ainda que a esmagadora maioria dos presos são homens — no total, há apenas 46 mulheres nas prisões cabo-verdianas, a maioria por crimes de tráfico de droga. Em termos de idade, o censo do INE concluiu que a maior parte dos reclusos masculinos têm entre 25 a 29 anos e que as mulheres têm, na maioria, entre 30 e 49 anos.

Segundo os dados, uma percentagem significativa de presos começou a cometer crimes entre os 15 e 21 anos, e mesmo que não tenham sido presos numa cadeia, estiveram detidos numa esquadra policial. Quanto à educação, o estudo concluiu que metade dos reclusos tem o ensino básico e que no momento da detenção apenas 7,4% estava a estudar.

A nível de nacionalidade, 92,8% dos presos são cabo-verdianos, 4,5% tem dupla nacionalidade e 2,4% são estrangeiros. Em relação ao estado civil, 786 vivem em união de facto, 700 são solteiros, 66 são casados e 15 são divorciados.

Os dados foram apresentados pela diretora de Estatísticas do INE, Naomi Ramos, na cidade da Praia, num workshop organizado pelo Ministério da Justiça e Trabalho e onde foi abordado o Plano Nacional de Reinserção Social. A responsável avançou que a maioria das cadeias cabo-verdianas estão sobrelotadas, à exceção da do Sal, que tem uma taxa de ocupação de 50%.

“A cadeia da Praia tem uma capacidade para 602 presos e no momento do censo estava com 1.112 presos, que é quase o dobro da capacidade. O Sal tem uma capacidade para 250 pessoas e tinha na altura 165 presos. A Cadeia Central de São Vicente tem uma capacidade para 200 presos e na altura tinha 250 presos”, enumerou a mesma fonte, citada pela Inforpress.

Os dados foram recolhidos em março de 2018 e o censo tinha por objetivo fazer o levantamento do perfil sociodemográfico dos presos em todas as cadeias do país, nomeadamente as Cadeias Centrais da Praia e do São Vicente e as Cadeias Regionais do Fogo, Santo Antão e do Sal.

“O objetivo é fazer o levantamento desses indicadores que vão permitir ver qual a motivação para esses crimes cometidos por esses infratores e dar ao país indicadores que permitam traçar melhores políticas, quer na área de segurança, quer na questão de ressocialização dos presos quando saírem das cadeias”, afirmou Naomi Ramos.