A comissão de inquérito ao furto de Tancos ouviu esta quinta-feira o quarto testemunho de um oficial a confirmar que eram conhecidas, na hierarquia do Exército, as “muitas avarias e muitas deficiências” na vigilância dos paióis. O coronel Dionísio Peixeiro, comandante do Regimento de Paraquedistas, e um dos que foi suspenso por duas semanas após o furto, em junho de 2017, esteve quase três horas a ser ouvido pelos deputados, e contou alguns detalhes da degradação a que chegaram as instalações.

Dionísio Peixeiro afirmou que foi “sendo sempre recatado” que “os equipamentos complementares” para os oito militares que faziam as rondas, como o sistema de videovigilância ou sensores, tinham “muitas avarias, muitas deficiências” e deixaram de funcionar a partir de certa altura.

Os deputados, à medida que falavam, repetiam e insistiam nas mesmas perguntas: os “escalões acima”, ou seja, a Brigada de Reação Rápida, que coordenava o trabalho das quatro unidades que mensalmente enviava militares para fazer a vigilância, os comandantes operacional, das forças terrestres e de logística.

Apesar de ter dito que sabia que havia preocupação com a situação nos paióis, nos escalões acima e no “comando do Exército”, o coronel nunca falou diretamente no general Rovisco Duarte, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército, que se demitiu após este caso que também levou à queda do ministro da Defesa Azeredo Lopes. E até admitiu que existia uma “expectativa e confiança na cadeia de comando” na resolução dos problemas identificados nos relatórios feitos pelos regimentos responsáveis pela vigilância dos paióis nacionais de Tancos.

“Sempre relatámos as deficiências que detetámos”, disse o coronel, admitindo que, nas duas rotações de militares feitas pelo regimento que comanda desde 2016, “as deficiências eram as mesmas”.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017. O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.