A vida, por vezes, tem destas boas surpresas. A Tesla, que vende os seus veículos sem recorrer à habitual rede de concessionários e respectivos vendedores, nem à tradicional publicidade, encontrou uma forma curiosa e inovadora de promover a venda dos seus veículos. Transformou cada cliente num embaixador, atribuindo-lhe descontos e vantagens sempre que participa em determinadas acções ou aconselha novos clientes que adquirem um Tesla. O sistema foi um sucesso e, embora tivesse alguns custos associados, não era nada impossível de viabilizar enquanto o fabricante vendia apenas dois modelos, o S e o X, num total próximo das 100.000 unidades por ano.

Com a entrada em velocidade de cruzeiro do Model 3, que nos últimos meses já foi produzido e vendido a um ritmo de 5.000 unidades por semana (250.000 unidades/ano), a situação mudou de figura e rapidamente este programa de incentivos, conhecido como Customer Referral Program, se transformou numa dor de cabeça… financeira. Isto porque, apesar de o programa ter vindo a reduzir as suas regalias desde 2015, quando foi criado, adaptando-se a um crescente número de vendas, o número de unidades comercializadas no último trimestre, aliado aos clientes apostados em aproveitar ao máximo as benesses, fez disparar os custos para o construtor. Especialmente com o arranque das vendas do Roadster, cuja versão base é proposta por 200.000 dólares, mais do dobro dos valores pedidos pelas versões de acesso às gamas S e X.

Para pôr cobro à situação, Elon Musk informou que “o Customer Referral Program vai terminar no próximo 1 de Fevereiro”, avançando que os clientes têm até lá para aproveitar as vantagens concedidas. Estas basicamente consistem em seis meses de utilização gratuita dos Superchargers – que é grátis para a maioria dos Model S e X em circulação, mas não para os mais recentes e para todos os Model 3 – e um desconto de 2% na compra de um novo Tesla, por cada cliente que adquira um novo modelo, dando a referência do proprietário de um Tesla que o indicou.

Roadster à borla? Também quero…

Em relação ao Roadster, de valor mais elevado, cuja promoção incluía não só a versão normal, proposta por 200.000$, como a Founder Series, que exige 250.000$, o esquema criado permitia que após ter indicado cinco novos clientes, os proprietários Tesla atingissem um nível que lhes permitia ter acesso a um desconto de 2% na compra de um novo Roadster.

Com tão atraente prémio em vista, foram vários os clientes por esse mundo fora – mas sobretudo nos EUA – que se dedicaram a angariar “referrals”, ou referências, com a marca a estimar que os clientes que amealharam 105 referências poderão garantir dois Roadster à borla. E se isto impressiona, mais os clientes do que o responsável financeiro da Tesla, é bom que se tenha presente que existem clientes a quem a marca vai ter de oferecer três Roadster, daqueles que prometem ultrapassar 400 km/h, passar pelos 100 km/h em cerca de 2,0 segundos.

Independentemente do que vá acontecer até 1 de Fevereiro, é público que 60 clientes da Tesla vão ter direito a uma unidade do Roadster, e 20 deles vão mesmo receber dois exemplares do superdesportivo da Tesla, que surgirá em 2020. A estes 80 veículos há que juntar alguns que receberão três e depois há uma série interminável de clientes da marca que vão ter direito a descontos que variam entre 1% e 99%, dependendo do número de referências que conseguiram juntar.

Através da Teslastats é possível verificar não só os clientes da marca americana que mais referências possuem, existindo um Andy (a marca não divulga o nome completo) com 294 “referrals”, sendo que os cinco primeiros todos possuem mais de 200 registos em seu nome. O mesmo site faz igualmente a publicação por país, sendo que Portugal tem 38 clientes registados, sendo o ranking liderado pelo Hugo, com 40 referências, valor que, a avaliar pela sua página de Facebook, já lhe garante 85% de desconto e ainda pode aumentar até final do mês.