A polícia da Irlanda do Norte suspeita que a explosão de uma carrinha armadilhada em frente a um tribunal em Londonderry, na noite de sábado, tenha sido provocada por dissidentes do Exército Republicano Irlandês (IRA). Dois jovens, com cerca de 20 anos, foram detidos.

O engenho foi colocado dentro de um veículo de entrega de pizzas roubado e explodiu quando a polícia, que recebeu um aviso, estava a evacuar a área, onde existe um hotel e alguns bares. Um grupo de 150 pessoas teve de ser retirado de um clube que fica do outro lado da Bishop Street, onde a bomba foi colocada, referiu o The Irish Times. O incidente, que aconteceu pouco depois das 20h, não provocou feridos. As autoridades continuam no local, acompanhadas por especialistas da brigada de minas e armadilhas.

O chefe de polícia assistente, Mark Hamilton, descreveu a bomba era um dispositivo artesanal e instável, considerando o ataque “incrivelmente imprudente”. “As pessoas responsáveis por este ataque não mostraram nenhuma consideração pela comunidade ou empresas locais”, disse Hamilton. O responsável adiantou ainda que a “principal linha de investigação” é de que o engenho foi colocado junto ao tribunal por um grupo conhecido como o Novo IRA.

Formado em 1997 por um grupo de dissidentes do IRA, na sequência do anúncio de cessar-fogo da organização paramilitar, o Novo IRA tem por objetivo a unificação das duas Irlandas e o fim do domínio britânico no norte da ilha. É considerado uma organização terrorista pelo Reino Unido e Estados Unidos da América. O nome Novo IRA foi criado pela comunicação social. O grupo apelida-se simplesmente de Exército Republicano Irlandês.

A ministra britânica da Irlanda do Norte, Karen Bradley, condenou o ataque. Os responsáveis, acrescentou Karen Bradley, “não têm absolutamente nada a oferecer” ao futuro da Irlanda do Norte. “Esta é uma violência intolerável e esperamos construir um futuro pacífico para todos na Irlanda do Norte”, disse a ministra britânica.

O autarca da cidade também conhecida como Derry (o nome é disputado entre nacionalistas e unionistas), John Boyle, disse que a violência “está no passado e tem que permanecer no passado”. Elisha McCallion, uma política do Sinn Fein (antigo braço político do IRA), disse à imprensa que “ninguém quer este tipo de incidente”. “Não é representativo da cidade. Incentivo a qualquer pessoa com informações sobre este incidente, para as fazer chegar à polícia”, declarou.

Mais de 37.00 pessoas morreram durante décadas de violência antes do acordo de paz da Irlanda do Norte, em 1998. A maioria dos militantes renunciou à violência, mas pequenos grupos de dissidentes do IRA realizaram explosões e tiroteios ocasionais.

O Governo de partilha de poder da Irlanda do Norte foi suspenso por dois anos por causa de uma disputa entre os principais partidos políticos protestantes e católicos. A incerteza sobre o futuro da fronteira irlandesa depois do Brexit está a aumentar as tensões.