Mais de 20 pessoas ficaram feridas este domingo, em Atenas, nos violentos ataques registados durante uma manifestação contra a ratificação do acordo que prevê a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte. Segundo a polícia, dez dos feridos são agentes das forças de segurança.

Segundo um comunicado do Ministério da Proteção Pública grego, citado pela AFP, 25 agentes da polícia ficaram feridos na manifestação contra a ratificação do acordo que prevê a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte.

O centro de primeiros socorros adiantou que, pelo menos, dois manifestantes foram hospitalizados devido a problemas respiratórios.

Os confrontos eclodiram logo após o início da manifestação na Praça de Sintagma, em frente ao parlamento, quando um grupo de manifestantes tentou forçar o cordão policial e invadir o parlamento. Segundo um porta-voz da polícia, os manifestantes atiraram pedras, garrafas, projéteis e cocktails molotov contra os agentes.

As forças de segurança responderam com gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento e pelo menos dois manifestantes tiveram que ser transferidos para hospitais, como confirmou uma fonte do serviço de ambulância.

Grupos de manifestantes violentos também atacaram uma equipa de televisão pública, feriram um operador de câmara e danificaram a câmara. Um fotojornalista ficou ferido na cara.

Tanto o principal partido da oposição, os conservadores Nova Democracia, como o partido neonazi Aurora Dourada argumentaram que por trás dos ataques estavam grupos de esquerda e forças “provocadoras” relacionadas com o Governo do Syriza. O Governo grego disse em comunicado que as altercações foram perpetradas por seguidores da extrema-direita.

Após os primeiros incidentes, a violência continuou na rua comercial do centro de Atenas, cujas lojas estavam abertas por se ter iniciado o período de vendas de inverno. Alguns grupos incendiaram contentores e objetos de madeira.

Cerca de 60 mil pessoas participaram na manifestação, segundo a polícia, e dez vezes mais, segundo os organizadores. Em causa está o acordo em causa visa alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte, uma disputa que dura há 27 anos, desde que o país declarou independência da Jugoslávia. Os gregos estão contra a nova designação, uma vez que têm uma região no norte chamada Macedónia.

Macedónia, um nome divisivo

De acordo com a AFP, durante a concentração, convocada por grupos nacionalistas e religiosos, cerca de 30 jovens encapuzados lançaram projéteis e tentaram entrar no parlamento. A polícia de choque retaliou, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes. “Há apenas uma Macedónia e é a grega”, disse uma das manifestantes, Christina Gerodimou, em declarações à AFP.

Gerodimou afirmou ainda que o Governo de Alexis Tsipras é formado por “traidores”. “A Macedónia é grega, é a minha pátria, onde nasci e cresci. A Macedónia não pode ser Skopje, que é uma comunidade Eslava, que antes da II Guerra Mundial se chamava Vardaska. [Josip Broz] Tito fez a alteração para Macedónia, mas não está correto. A Macedónia é a pátria de Alexandre Magno”, disse, citada pela EFE, Fotiní Jalastara, outra manifestante.

O Governo grego remeteu no sábado ao parlamento o acordo sobre a alteração do nome da Macedónia, dando assim inicio ao processo. Na segunda-feira, o parlamento grego vai reunir-se para estabelecer o calendário de sessões das comissões de Defesa e Assuntos Externos, encarregue de discutir o texto antes do debate final no plenário, previsto para o final da próxima semana.

A 11 de janeiro, o parlamento da Macedónia alterou algumas emendas da Constituição, de modo a poder alterar o nome do país, deixando assim nas mãos da Grécia o último passo para a concretização do acordo de Prespa. Este documento vai também permitir a possibilidade de entrada da Macedónia do Norte na Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) e de início do processo de adesão à União Europeia.

Apesar de a grande maioria da oposição estar contra este documento e da coligação com os nacionalistas Gregos Independentes ter-se rompido na semana passada por esta questão, o Governo de Alexis Tsipras espera o apoio da maioria absoluta da câmara — 151 deputados -, tal como conseguiu um voto de confiança na passada quarta-feira.

De acordo com a agência EFE, alguns deputados dos Gregos Independentistas já confirmaram que vão apoiar o acordo e o partido centrista To Potami (O Rio) levantou a disciplina de voto, esperando-se assim que alguns dos seus deputados apoiem o documento.

O primeiro-ministro grego viu, na quarta-feira, o parlamento aprovar um voto de confiança, dias depois de ter terminado a coligação que viabilizava o seu Governo. Com 151 votos favoráveis, dos 300 parlamentares, Tsipras viu assegurada a continuidade do seu executivo, cujo mandato termina em outubro. O ministro da Defesa, Panos Kammenos, que lidera os Gregos Independentes, abandonou o Governo no passado fim de semana, em protesto contra o acordo proposto com a vizinha Macedónia.