Rádio Observador

Grécia

Mais de 20 feridos em manifestações em Atenas contra acordo para alteração do nome da Macedónia

Os protestos contra o acordo entre Atenas e Skopje, sobre a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte, levaram a confrontos com a polícia.

Mais de 60 mil pessoas concentraram-se este domingo na Praça de Sintagma, em Atenas

YANNIS KOLESIDIS/EPA

Autor
  • Agência Lusa
Mais sobre

Mais de 20 pessoas ficaram feridas este domingo, em Atenas, nos violentos ataques registados durante uma manifestação contra a ratificação do acordo que prevê a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte. Segundo a polícia, dez dos feridos são agentes das forças de segurança.

Segundo um comunicado do Ministério da Proteção Pública grego, citado pela AFP, 25 agentes da polícia ficaram feridos na manifestação contra a ratificação do acordo que prevê a alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte.

O centro de primeiros socorros adiantou que, pelo menos, dois manifestantes foram hospitalizados devido a problemas respiratórios.

Os confrontos eclodiram logo após o início da manifestação na Praça de Sintagma, em frente ao parlamento, quando um grupo de manifestantes tentou forçar o cordão policial e invadir o parlamento. Segundo um porta-voz da polícia, os manifestantes atiraram pedras, garrafas, projéteis e cocktails molotov contra os agentes.

As forças de segurança responderam com gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento e pelo menos dois manifestantes tiveram que ser transferidos para hospitais, como confirmou uma fonte do serviço de ambulância.

Grupos de manifestantes violentos também atacaram uma equipa de televisão pública, feriram um operador de câmara e danificaram a câmara. Um fotojornalista ficou ferido na cara.

Tanto o principal partido da oposição, os conservadores Nova Democracia, como o partido neonazi Aurora Dourada argumentaram que por trás dos ataques estavam grupos de esquerda e forças “provocadoras” relacionadas com o Governo do Syriza. O Governo grego disse em comunicado que as altercações foram perpetradas por seguidores da extrema-direita.

Após os primeiros incidentes, a violência continuou na rua comercial do centro de Atenas, cujas lojas estavam abertas por se ter iniciado o período de vendas de inverno. Alguns grupos incendiaram contentores e objetos de madeira.

Cerca de 60 mil pessoas participaram na manifestação, segundo a polícia, e dez vezes mais, segundo os organizadores. Em causa está o acordo em causa visa alteração do nome da Antiga República Jugoslava da Macedónia para Macedónia do Norte, uma disputa que dura há 27 anos, desde que o país declarou independência da Jugoslávia. Os gregos estão contra a nova designação, uma vez que têm uma região no norte chamada Macedónia.

Macedónia, um nome divisivo

De acordo com a AFP, durante a concentração, convocada por grupos nacionalistas e religiosos, cerca de 30 jovens encapuzados lançaram projéteis e tentaram entrar no parlamento. A polícia de choque retaliou, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes. “Há apenas uma Macedónia e é a grega”, disse uma das manifestantes, Christina Gerodimou, em declarações à AFP.

Gerodimou afirmou ainda que o Governo de Alexis Tsipras é formado por “traidores”. “A Macedónia é grega, é a minha pátria, onde nasci e cresci. A Macedónia não pode ser Skopje, que é uma comunidade Eslava, que antes da II Guerra Mundial se chamava Vardaska. [Josip Broz] Tito fez a alteração para Macedónia, mas não está correto. A Macedónia é a pátria de Alexandre Magno”, disse, citada pela EFE, Fotiní Jalastara, outra manifestante.

O Governo grego remeteu no sábado ao parlamento o acordo sobre a alteração do nome da Macedónia, dando assim inicio ao processo. Na segunda-feira, o parlamento grego vai reunir-se para estabelecer o calendário de sessões das comissões de Defesa e Assuntos Externos, encarregue de discutir o texto antes do debate final no plenário, previsto para o final da próxima semana.

A 11 de janeiro, o parlamento da Macedónia alterou algumas emendas da Constituição, de modo a poder alterar o nome do país, deixando assim nas mãos da Grécia o último passo para a concretização do acordo de Prespa. Este documento vai também permitir a possibilidade de entrada da Macedónia do Norte na Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) e de início do processo de adesão à União Europeia.

Apesar de a grande maioria da oposição estar contra este documento e da coligação com os nacionalistas Gregos Independentes ter-se rompido na semana passada por esta questão, o Governo de Alexis Tsipras espera o apoio da maioria absoluta da câmara — 151 deputados -, tal como conseguiu um voto de confiança na passada quarta-feira.

De acordo com a agência EFE, alguns deputados dos Gregos Independentistas já confirmaram que vão apoiar o acordo e o partido centrista To Potami (O Rio) levantou a disciplina de voto, esperando-se assim que alguns dos seus deputados apoiem o documento.

O primeiro-ministro grego viu, na quarta-feira, o parlamento aprovar um voto de confiança, dias depois de ter terminado a coligação que viabilizava o seu Governo. Com 151 votos favoráveis, dos 300 parlamentares, Tsipras viu assegurada a continuidade do seu executivo, cujo mandato termina em outubro. O ministro da Defesa, Panos Kammenos, que lidera os Gregos Independentes, abandonou o Governo no passado fim de semana, em protesto contra o acordo proposto com a vizinha Macedónia.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Rui Rio

Portugal continua a não ser a Grécia /premium

Rui Ramos
396

Quando a Grécia se afundava em resgates, Passos impediu que Portugal fosse a Grécia. Agora, quando a Grécia se liberta da demagogia, é Rui Rio quem impede que Portugal seja a Grécia. 

Incêndios

Verões de fogo /premium

Manuel Villaverde Cabral
116

A descrição dos incêndios na Grécia é em tudo idêntica à dos que ocorreram em Portugal há dois anos, mas aqui morreram ainda mais pessoas. Lá o Syriza perdeu as eleições, aqui o PS vai ganhá-las...

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)