Boxe

Pacquiao entrou com “Eye of the Tiger”, ganhou como Rocky e quer puxar Mayweather para novo filme

Manny Pacquiao manteve o título contra Adrien Broner mostra-se em forma aos 40 anos. Uma forma que quer testar contra Mayweather, como em 2015. Mas o americano não parece para aí virado.

Manny Pacquiao deu uma lição a Adrien Broner, apesar de americano considerar que deveria ter ganho o combate de Las Vegas

Getty Images

Adrien Broner queria terminar o combate e ser o principal protagonista. De certa forma, até conseguiu esse objetivo mas não pelas razões desejadas. O americano já se tornou campeão de boxe em quatro categorias diferentes mas o combate com Manny Pacquiao, para onde partia com os índices de tagarelice em alta nas conferências e demais entrevistas, não correu bem. Pelo menos era a opinião de todos… menos do próprio. “Fui eu que ganhei, claro. Toda a gente viu que fui eu que ganhei o combate. Controlei sempre, ele estava sempre a falhar”, atirou no final. De forma inevitável, as redes sociais encheram-se de memes a brincar com essas palavras que tentavam fugir ao óbvio – o filipino segurara de forma imperial o título de meio-médios da Associação Mundial de Boxe (AMB). “Foi um roubo. Não sei mais o que fazer para ganhar em Las Vegas”, ainda reforçou mais tarde. E lá voltaram as reações em peso, entre a incredulidade e o gozo por Broner não querer aceitar o óbvio.

Os números não deixaram dúvidas e a decisão por unanimidade dos árbitros ainda menos: 117-111, 116-112 e 116-112. Como frisou o El Mundo, Pacquiao, campeão mundial em oito categorias diferentes, pode já não ter a mesma explosão de outrora aos 40 anos mas continua a um nível muito elevado. De verdadeiro campeão. Um campeão que foi apoiado na MGM Grand Garden Arena por mais de 13 mil espetadores e outros milhares e milhares na sua terra natal, onde existem inúmeras concentrações de fãs sempre que Manny combate nos Estados Unidos (e já lá vão quase 20 anos desde que se estreou).

Foi uma vitória em toda a linha do filipino que, boxe à parte, passou pelo exército, foi cantor, joga basquetebol numa equipa que lhe pertence, é ator e tem uma trajetória ascendente na política, a ponto de ser considerado o principal favorito à presidência do seu país no próximo ano. Mas se dentro de ringue foi assim, fora dele na sua antecâmara em nada ficou atrás: Pacquiao chegou ao ringue ao som do “Eye of the Tiger”, que ficou célebre na saga de Rocky Balboa interpretado por Sylvester Stallone.

“Dei o meu melhor na preparação e todo o treino que fiz funcionou. Queria forçar ainda mais no final mas o meu treinador disse-me que estávamos à frente e que não havia pressas. A boa saúde é a chave de alguém com 40 anos e quero ainda melhorar mais o meu desempenho”, comentou no final Manny Pacquiao, antes da frase que ficou como grande soundbyte da noite: “Digam ao Floyd [Mayweather] que volte aos ringues, estou disposto a fazer um combate com ele se quiser”.

O americano, campeão mundial invicto que está reformado e recentemente foi fazer um combate de exibição ao Japão frente a um campeão de kickboxing que foi mais entretenimento do que outra coisa, deslocou-se a Las Vegas, assistiu a tudo e no final ainda foi cumprimentar o filipino mas já na MGM Grand Garden Arena não se tinha mostrado muito entusiasmado com a possibilidade de reeditar o “Combate do Século” de 2015. “Continuam a perguntar-me sobre o Manny Pacquiao… Ele agora tem é de ganhar ao Adrien Broner, da minha parte ando a viver uma vida boa e cheia de saúde”, comentou à chegada. No final, “The Money” ainda foi convidado para subir ao ringue e falar sobre o possível combate mas recusou aquele que teria sido o momento da noite.

Mais tarde, Leonard Ellerbe, CEO da Mayweather Promotions, deu a estocada final nessa possibilidade de reencontro entre dois dos maiores campeões mundiais de sempre do boxe. “O Floyd não tem interesse em voltar aos combates. Nem sempre se trata de uma questão de dinheiro, nesta altura não tem nem motivação nem desejo”, resumiu.

De recordar que, em maio de 2015, Mayweather e Pacquiao protagonizaram aquele que ficou conhecido como o “Combate do Século”: depois de cinco anos de avanços e recuos nas negociações, o duelo gerou um total a rondar os 350 milhões de euros de receitas (e com bilhetes na MGM Grand Garden Arena que rondam os 3.200 e os 20.300 euros…) e teve entre outros pontos a presença de Jamie Foxx para cantar o hino e de celebridades como Donald Trump, Clint Eastwood, Robert De Niro, Michael Jordan, Tom Brady ou Denzel Washington na assistência. O americano venceu por decisão unânime dos três juízes (116-112, 116-112 e 118-110) mas soube-se depois que o filipino estava limitado no ombro direito, o que lhe retirou qualquer hipótese de poder ter outra prestação sobretudo nos últimos rounds, geridos da melhor forma por “The Money” até ao triunfo.

Coincidência ou não, depois de ter deixado uma mensagem de agradecimento à mulher, à família, a todo o staff que trabalha consigo e aos milhares de fãs, Manny Pacquiao colocou agora como pinned tweet um inesperado encontro que teve com Floyd Mayweather numa festa no Japão em setembro do ano passado, altura em que o americano lançou algumas provocações ao adversário dizendo mesmo que iria voltar aos ringues frente ao filipino, com a mensagem “50-1 #NoExcuses”, numa farpa também para o registo invicto de 50 triunfos de “The Money” que pretende terminar. Será que o desafio é aceite?

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)