Ténis

Stefanos Tsitsipas: Quem é o miúdo que eliminou Roger Federer no Open da Austrália?

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Tsitsipas é o jogador do momento, depois da derrota que impôs a Federer. O jovem de 20 anos já fez história nos oitavos de final do Open da Austrália, em Melbourne. Este ano, regressa a Portugal

Getty Images

Stefanos Tsitsipas bateu este domingo Roger Federer nos oitavos de final do Open da Austrália, que decorreram em Melbourne. Com apenas 19 anos, Tsitsipas é já considerado o melhor tenista grego de todos os tempo. Com esta derrota, Federer perde um lugar no top 5 mundial.

Tsitsipas é o tenista mais novo a competir, e embora seja tido já como a mais recente sensação do ténis mundial, sabia que a vantagem estava do lado do muito experiente Federer, o mais velho da competição. Nada que o impedisse de chegar ao court de Melbourne Park para surpreender o suíço e o resto do mundo. Federer não conseguiu converter nenhum dos 12 break points do grego. Terceiro no ranking mundial, Federer perdeu em quatro sets para Tsitsipas, 15.º jogador melhor do mundo, que venceu por 6-7 (11-13), 7-6 (7-3), 7-5 e 7-6 (7-5),.

No final da partida, que durou 3h45m, Tsitsipas, visivelmente emocionado, disse que era “o homem mais feliz do mundo”. “O Roger é uma lenda do nosso desporto, respeito-o muito. É difícil descrever como é que é ganhar-lhe, é impossível. É o meu ídolo desde os seis anos”, citou o Globo. O próximo jogo do grego será com o espanhol, Roberto Bautista-Agut, 22.º jogador do mundo, que afastou o croata Marin Cilic, que estava em 7.º, em cinco sets.

(JEWEL SAMAD/AFP/Getty Images)

O melhor desportista da família, as birras, a passagem por Portugal

Stefanos Tsitsipas nasceu em Atenas, é filho de um pai grego e de uma mãe russa, ambos ex-tenistas. Foi na capital grega que deu os primeiros passos no ténis. Começou quando tinha três anos, num resort orientado pelos pais (o pai, Apostolos Tsitsipas, é atualmente seu treinador), passando depois para a escola de Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams, sem qualquer apoio do Estado grego por causa dos cortes após a grave crise económica. Ainda que seja o grande talento da família, o jovem não é o único desportista. Os irmãos também praticam a modalidade e o avô, Sergei Salnikov, ex-jogador de futebol que fez carreira no Dínamo e no Startak Moscovo, conseguiu uma medalha de ouro nos jogos olímpicos de 1956, pela União Soviética.

O seu percurso tem sido surpreendente. Desde que atingiu a primeira final no ATP, em Barcelona, frente a Rafa Nadal, não tem parado de somar conquistas, convertendo-se no melhor jogador grego de sempre e no primeiro a chegar a uma final do circuito desde Nicholas Kalogeropoulos, em 1973. No ano passado, em Roma, teve a oportunidade de jogar pela primeira vez com um ídolo, ao enfrentar Juan Martín del Potro. Em entrevista ao Globo, o jovem tenista admitiu que, a seguir a Federer, del Potro sempre foi o seu jogador favorito.

(Julian Finney/Getty Images)

“Foi muito difícil. Queria derrotá-lo, mas ao mesmo tempo foi muito estranho jogar contra um gigante, contra uma lenda como del Potro.”, afirmou. “Queria vencê-lo, mas ao mesmo tempo lembrava-me dos momentos da minha vida em que o via como um deus.” Até pelo aspeto visual, Stefanos Tsitsipas tem sido comparado com Gustavo Kuerten e o jornal brasileiro fez questão de o interrogar sobre isso. O grego admitiu algumas semelhanças, sobretudo na maneira de jogar, ainda que a maioria aponte as parecenças físicas, e lembrou que quase não viu Kuerten jogar porque o brasileiro se reformou em 2008, quando Tsitsipas tinha apenas nove anos.

Mas nem só de coisas boas se faz a carreira do grego. No ano passado, Tsitsipas esteve envolvido numa polémica depois de ter tido um gesto violento para com a jovem apanha-bolas, que tinha ido em seu auxílio por causa de um problema com uma raqueta nova. O plástico não terá sido retirado com a rapidez que Tsitispas desejava, e o jogador puxou a raqueta com força.

O vídeo, que mostra o momento de frustração do jogador correu as redes sociais, e serviu de prova para os críticos que dizem que o jogador tem um problema de”atitude” e que é um “miúdo mimado”. Nesse caso, Tsitsipas acabou por pedir desculpa, admitindo que não tinha nada contra a apanha-bolas, queria apenas ter a raqueta pronta para o jogo. “Concordo que é inaceitável. Peço desculpa pela minha ação“, disse.

Não foi caso único. No final de 2018, o mesmo jogador voltou a ter um problema de relações públicas, e também por causa dos apanha bolas. Depois de uma época muito bem-sucedida, em que ascendeu do 91.º ao 15.º lugar do ‘ranking’ mundial, Tsitsipas venceu o torneio de Estocolmo e conquistou a NextGen ATP Finals. Foi precisamente aí que as coisas não correram bem. A ATP tentou introduzir uma alteração no torneio (onde competem os melhores do mundo sub-22) e em vez de serem os miúdos apanha-bolas a fornecer toalhas aos jogadores, seriam os próprios tenistas a irem buscar a sua própria toalha sempre que precisassem dela. De acordo com a Associação de Tenistas Profissionais, o objetivo era terminar com uma prática que transformava miúdos em “criados” dos jogadores, a quem se gritava de cada vez que era preciso uma toalha.

Tsitsipas não achou graça à inovação e não teve qualquer pudor em criticá-la em público. De acordo com o The Telegraph, no final do torneio em Milão, queixou-se: “Não gostei daquilo da toalha. Tinha sempre de ir buscá-la, estava sempre a ter de pensar nisso enquanto jogava”, disse o jogador. “Ter as toalhas quando precisamos delas ajuda muito. Somos atletas de alto nível, e não conseguimos estar no nosso melhor quando temos de pensar que temos de ir buscar a tolha agora ou daqui a pouco. A função dos apanha-bolas também é essa. Dar as toalhas quando os jogadores precisam delas”.

Acessos de mau feitio momentâneos? Ou traços de personalidade? Como com qualquer celebridade, a perspetiva depende sempre de que lado se coloca a questão, do lado dos fãs ou do lado dos haters. Certo é que Tsitsipas está claramente no caminho ascendente, apesar de ainda muito jovem.

Para 2019 tem já regresso confirmado a Portugal, depois de ter passado por cá na última edição do Estoril Open. Apurou-se para as semifinais depois de afastar o espanhol Roberto Carballes Baena, mas foi vencido pelo português João Sousa. O anúncio foi feito em Dezembro: “É com grande satisfação que anunciamos o Stefanos Tsitsipas como a primeira vedeta da próxima edição do nosso torneio. Temos acompanhado de muito perto a evolução do Stefanos e a presença dele em 2018, quando ainda era desconhecido da maioria das pessoas, revelou-se uma aposta acertada, uma vez que tem conquistado o público, onde quer que jogue, com a sua técnica e carisma inconfundíveis”, justificou o diretor do torneio, João Zilhão.

O próprio Tsitsipas fez saber já que está satisfeito com o regresso: “Estou ansioso por regressar ao Millennium Estoril Open. O torneio tem um ambiente muito especial e tanto os fãs como a organização fazem com que me sinta em casa. A experiência deste ano foi extraordinária e espero ter um resultado ainda melhor no próximo ano”, comentou o jovem de 20 anos, que em 2018 na terra batida do Clube de Ténis do Estoril só perdeu nas meias-finais frente a João Sousa, que viria a sagrar-se campeão.

Será mais uma etapa do circuito mundial que o jovem tem documentado no canal que mantém no Youtube. Viaja frequentemente acompanhado da família, incluindo da irmã mais nova, que aparece frequentemente nos videos. Esta gestão nas redes sociais não quer dizer que Tsitsipas seja um fã total das novas tecnologias. Aliás, um dos desabafos que deixou recentemente foi precisamente sobre os obstáculos às amizades no tour: “Não é difícil fazer amigos, o problema é que hoje em dia as pessoas estão constantemente agarradas aos seus telefones, e assim não é fácil estabelecer amizades. Gostava que as pessoas fossem mais sociáveis.”

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