Hepatite C

Abre a primeira consulta para tratar hepatite C fora dos hospitais

O Grupo de Ativistas de Tratamento confirmam que é a “primeira consulta comunitária descentralizada em Portugal de tratamento da hepatite C destinada às pessoas que usam ou usaram drogas”.

A consulta comunitária abre portas, esta segunda-feira, num novo espaço do centro de rastreio comunitário IN-Mouraria, em Lisboa

PAULO NOVAIS/LUSA

Os antigos e atuais utilizadores de droga têm, a partir desta segunda-feira, uma consulta para tratamento da hepatite C fora dos hospitais, uma iniciativa do Grupo de Ativistas em Tratamento, que pretende aproximar esta população dos cuidados de saúde.

Trata-se da “primeira consulta comunitária descentralizada em Portugal de tratamento da hepatite C destinada às pessoas que usam ou usaram drogas”, que vão poder fazer o tratamento fora do ambiente hospitalar, “potenciando a cura da hepatite C”, segundo o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT).

A consulta comunitária, que abre portas, esta segunda-feira, num novo espaço do centro de rastreio comunitário IN-Mouraria, em Lisboa, resulta de uma parceria com o Serviço de Gastroenterologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que engloba os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, e tem como objetivo tratar pessoas que “têm vidas difíceis” e “não se sentem bem nos hospitais”, disse à agência Lusa o presidente do GAT, Luís Mendão.

“As pessoas ali vão ter médico, fazer as colheitas para as análises”, fazer exames para avaliar o estado do fígado “sem necessidade de se deslocarem ao hospital”, disse Luís Mendão, considerando esta iniciativa uma “contribuição para uma boa saúde pública”.

“Pensamos que assim vamos conseguir tratar e curar a maior parte das pessoas desta população que vive com hepatite C”, afirmou o presidente do GAT, que tem esperança que sejam tratadas 200 pessoas no primeiro ano da consulta. “No entanto, já ficamos com um bom objetivo se chegarmos a 100 pessoas”.

O diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHLC, Rui Tato Marinho, que faz parte da equipa interdisciplinar, salientou a importância desta iniciativa para os doentes, mas também para os profissionais de saúde.

“É aproximar o especialista da comunidade, ser útil à comunidade”, disse à Lusa o hepatologista, afirmando que o “hospital é muitas vezes um sítio inóspito”, sendo difícil para algumas pessoas lá irem.

Há algumas comunidades, como utilizadores de drogas ou imigrantes, que têm dificuldades até em pagar os transportes para se deslocar “quatro ou cinco vezes ao hospital”, umas vezes para fazer análises, outras para realizar exames, ir à consulta e “esperar horas” e “queríamos simplificar isso”, disse Rui Tato Marinho.

Com a deslocação da equipa de profissionais de saúde ao terreno consegue-se “fazer muito e ajudar muita gente em pouco tempo”, afirmou o especialista.

Mas “também é bom” para os profissionais de saúde: “Aproximamo-nos mais do outro, tornamo-nos mais humanos porque conhecemos outras faces da sociedade”.

Por outro lado, “é muito gratificante curar estas pessoas que tiveram e têm vidas muito desfavorecidas, ajudar a restaurar a saúde delas e dar-lhes momentos felizes”.

O presidente do GAT avançou que irá ser desenvolvido um estudo observacional a partir desta consulta, com objetivo de determinar a taxa de sucesso do tratamento para a hepatite C entre pessoas que usam/usaram drogas em contexto comunitário.

A criação do novo espaço foi possível devido à contribuição da Câmara Municipal de Lisboa, Coaliton Plus e do Programa EDP Solidária Inclusão Social 2017, da Fundação EDP.

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