A rede social WhatsApp vai limitar a cinco o número de pessoas ou grupos a quem se pode reencaminhar uma mensagem de forma a limitar a proliferação de notícias falsas e de boatos. A novidade foi anunciada esta segunda- feira, num evento em Jacarta (Indonésia), por Victoria Grand, a vice-presidente para a política de comunicações da empresa comprada em 2014 por Mark Zuckerberg.

Segundo a Reuters, já em julho — um ano depois de se terem registado dezenas de mortes na Índia, vítimas de boatos espalhados via WhatsApp, — se tinha aplicado a limitação de cinco reenvios na Índia e a 20 no resto do mundo. Foi também por esta altura que a empresa anunciou um prémio para quem apresentasse a melhor sugestão para que o sistema de chat desta rede social conseguisse impedir a disseminação de notícias falsas. É que, ao contrário de outras redes, o WhatsApp usa um sistema encriptado onde não é possível denunciar qualquer mensagem que possa ser, por exemplo, uma notícia falsa.

Ao The Guardian, Carl Woog, responsável pelas comunicações na WhastApp, disse que consideraram o número cinco como um número “razoável” de amigos próximos e como uma forma de prevenir abusos. Carl Woog lembrou que a natureza desta rede social é mesmo essa, uma rede de mensagens privadas.

O jornal The Guardian recorda como na Índia, onde existem 200 milhões utilizadores, se registaram no último ano e meia cerca de 30 linchamentos de pessoas suspeitas do sequestro de crimes como sequestros de crianças, depois de um boato espalhado via WhatsApp. Alguns dos boatos foram mesmo sustentados com vídeos adulterados que mostravam crianças a serem raptadas. Os rumores que pretendem linchar alguém não são uma novidade na Índia. Em 2015, quando o problema dos linchamentos começou com um boato espalhado através do altifalante de um templo no estado de Uttar Pradesh. A vítima seria um homem acusado de andar a armazenar carne no seu congelador. O problema é que agora os boatos se propagam de forma mais rápida a mais gente e, para quem reflete sobre o tema, com objetivos políticos.

O sistema de reencaminhamento de mensagens via WhatsApp tem sido visto como um dos principais culpados na propagação de notícias falsas, as chamadas fake news. Como cada grupo pode ter até 256 membros, uma mensagem pode ser encaminhada para 1.280 usuários de uma vez, contra 5.120 seguindo a regra anterior. Também no verão passado, a rede social tinha tomado medidas para impedir que tal acontecesse. E as mensagens reencaminhadas passaram a aparecer no destinatário como tendo sido reencaminhadas, e não como tendo sido uma afirmação do remetente da conversa — como antes aparentavam. Esta pequena mudança significou uma redução de 25% no reencaminhamento das mensagens.

A preocupação deste fenómeno é visível no próprio site da rede social que revela vários truques para que utilizador avalie a informação que recebe e perceba se esta é ou não fidedigna. Pode ler essa informação aqui.