A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação portuguesa, Teresa Ribeiro, visitará Moçambique na primeira quinzena do próximo mês para “consultas políticas”, disse esta terça-feira a própria em declarações à Lusa.

“Irei a Moçambique na primeira quinzena de fevereiro para consultas políticas com o meu homólogo. Ainda estamos na fase de estabilização de datas, mas será em princípio entre 13 e 16”, disse Teresa Ribeiro.

Uma visita que ocorre num contexto de crise no país, mas que a governante portuguesa assegura que se insere “no quadro normal das consultas políticas com Moçambique”.

Porém, Teresa Ribeiro admitiu “preocupação com o cenário que o país atravessa”.

“Com certeza, que nos preocupamos com Moçambique. E aquilo que esperamos é que Moçambique, no quadro das suas responsabilidades, encontre as melhores respostas para todos os seus desafios”, afirmou a secretária de Estado.

“Sabemos que o país está a trabalhar estreitamente com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e isso é muito importante para todas as matérias que estão em questão”.

Agora, defendeu Teresa Ribeiro, é preciso esperar que no quadro desse trabalho conjunto que está a ser desenvolvido com o FMI “se consigam encontrar as soluções que permitam ao país explorar as suas riquezas naturais e que se possa com isso almejar o desenvolvimento que beneficie o conjunto dos moçambicanos”.

“Essa é a vontade seguramente dos moçambicanos e também a vontade de Portugal”, afirmou.

Moçambique é para a secretária de Estado “um país com uma promessa de desenvolvimento imensa”. Tem recursos naturais preciosos, tem gás natural e um conjunto de parceiros internacionais “muito importantes” interessados na exploração do gás.

Aquilo que importa é que “tenha paz”, sublinhou Teresa Ribeiro, considerando que o Presidente de Moçambique, Filipe Niusy, “tem dado passos e sinais importantes” na concretização da paz que todos os moçambicanos desejam.

Com um processo e paz efetivo ainda em construção entre Governo e Renamo, o maior partido da oposição no país, que só há uma semana elegeu um novo líder, e com ataques sucessivos de grupos armados, sobretudo no norte do país, espalhando a violência, Moçambique enfrenta ainda outro fator de grande instabilidade: um processo de investigação levado a cabo pelos EUA que atinge nomeadamente o ex-ministro das Finanças Manuel Chang, suspeito de corrupção no chamado caso das dívidas ocultas.

O ex-ministro das Finanças de Moçambique Manuel Chang, três ex-banqueiros do Credit Suisse e um intermediário da Privinvest foram detidos em diferentes países desde 29 de dezembro a pedido da justiça norte-americana.

De acordo com a acusação, as dívidas ocultas garantidas pelo Estado moçambicano entre 2013 e 2014 para três empresas de pesca e segurança marítima terão servido de base para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos.