Rep Democrática do Congo

EUA saúdam confirmação de Felix Tshisekedi como Presidente da República Democrática do Congo

A tomada de posse de Felix Tshisekedi, que sucede a Joseph Kabila, está confirmada para quinta-feira. Esta será a primeira passagem do poder pacífica desde a independência do país da Bélgica.

Felix Tshisekedi vai tomar posse na quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

STEFAN KLEINOWITZ/EPA

Os Estados Unidos saudaram esta quarta-feira a confirmação de Felix Tshisekedi como Presidente da República Democrática do Congo e incentivaram a criação de um Governo com “ampla representação política” e a análise das denuncias de irregularidades eleitorais.

“Os Estados Unidos saúdam a certificação do Tribunal Constitucional congolês de Felix Tshisekedi como o próximo Presidente da República Democrática do Congo. Estamos comprometidos em trabalhar com o novo Governo da República Democrática do Congo e encorajamos o Executivo a incluir uma ampla representação dos atores políticos e a tratar de denúncias de irregularidades eleitorais”, adiantou, em comunicado, o Departamento de Estado.

No mesmo comunicado, a diplomacia norte-americana elogiou os congoleses pela sua “insistência numa transferência de poder pacífica e democrática”. “Também reconhecemos o compromisso do chefe de Estado [cessante] Joseph Kabila de se tornar o primeiro Presidente na História da República Democrática do Congo a ceder o poder pacificamente através de um processo eleitoral”, acrescentou.

A tomada de posse do novo Presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, que sucede a Joseph Kabila, está confirmada para quinta-feira, naquela que é a primeira passagem do poder pacífica de um Presidente ao seu sucessor desde a independência do país da Bélgica, a 30 de junho de 1960.

A vitória de Tshisekedi nas eleições de 30 de dezembro não é reconhecida pelo outro candidato da oposição, Martin Fayulu, que se autoproclama “presidente eleito” e denuncia reiteradamente a existência de “fraude eleitoral” de Kabila, com a cumplicidade de Tshisekedi.

Os argumentos de Fayulu encontram apoio na contagem de votos da Conferência Episcopal congolesa, que deslocou mais de 40 mil observadores para as estações de voto em todo o país, assim como com uma investigação divulgada pelo Financial Times.

O diário britânico teve acesso aos dados das estações de voto eletrónico utilizadas nas eleições, correspondentes a 86% dos votos escrutinados em todo o país, que mostram a vitória de Fayulu, com 59,4% dos votos, contra uns muito distantes 19% dos boletins escrutinados a favor de Tshisekedi e 18% dos votos recebidos por Emmanuel Shadary, o terceiro candidato mais votado, delfim do Presidente cessante, Joseph Kabila.

Depois de várias hesitações — e após a validação pelo Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo dos resultados divulgados pela comissão eleitoral do país (Ceni) –, a União Africana e a União Europeia indicaram através de um comunicado conjunto que estavam disponíveis para “trabalhar com o presidente Tshisekedi e com todos os partidos congoleses”. Tshisekedi deverá escolher um chefe de Governo entre os deputados pertencentes à maioria parlamentar, apoiante de Joseph Kabila.

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