Em ambiente festivo, ou não estivesse a comemorar o 21º ano consecutivo como líder das vendas do mercado português, a Renault apresentou o novo Kadjar, o SUV com que se faz representar no segmento C, o segundo mais importante do mercado, tradicionalmente liderado pelo Nissan Qashqai, modelo que cede ao Sport Utility Vehicle a sua plataforma. A novidade é que, se até agora a Renault se viu obrigada a disputar o mercado com um Kadjar com apenas uma versão, um motor e um nível de equipamento, a partir de agora vai poder contar com uma gama completa, com vários motores a gasolina e a gasóleo, preços mais competitivos por o SUV passar a contar com novos e mais eficientes motores e uma estética refrescada, mais moderna e dinâmica.

As diferenças estéticas do renovado Kadjar, face ao antigo, são fáceis de encontrar, bastando fixarmo-nos na nova grelha, mais aberta e com óbvios traços dos veículos mais recentes da marca francesa, além dos faróis em LED com assinatura incorporada em forma de C. Tudo isto reforça a sensação de largura do modelo, no que é complementada pelos novos pára-choques, também eles de aspecto mais moderno e integrando as luzes de nevoeiro. Atrás, uns farolins em LED, os novos para-choques e o “extractor” inferior de maiores dimensões contribuem para fazer o Kadjar parecer mais largo e baixo.

De um motor para quatro

Mais do que a estética, é na mecânica que o SUV francês mais evolui. Em vez de disputar o mercado com apenas um motor, a antiga versão do turbodiesel 1.5 de 110 cv, o Kadjar passa a oferecer dois motores a gasóleo. Para já, a mais recente versão do 1.5, denominado agora 1.5 Blue dCi, cuja potência sobe para 115 cv, à medida que os consumos e as emissões descem. Ainda este ano surgirá o novo 1.7 Blue dCi com 150 cv, o mais recente motor diesel da marca, que substitui o antigo 1.6 com vantagens nas emissões e consumos.

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Além da oferta a gasóleo, o SUV vai disponibilizar pela primeira entre nós motorizações a gasolina, que cada vez têm mais clientes, tanto mais que são as mais acessíveis. O Kadjar recorre ao novo motor 1.3 – o mesmo que a Mercedes teima em denominar 1.4, apesar de ter menos do que 1.350 cc (possui mesmo 1.333 cc) –, que propõe nas versões 1.3 TCE 140 e 1.3 TCE 160, com respectivamente 140 cv e 160 cv. Com boas prestações em termos de rapidez nas acelerações e velocidade máxima, é esta unidade que permite ao modelo ser proposto bem abaixo dos 30.000€.

Associadas a estas motorizações, tanto a gasolina como a gasóleo, surgem duas possibilidades em matéria de caixas. Por um lado, a normal manual com seis velocidades, que é a mais acessível, com a automática EDC, com dupla embraiagem e sete velocidades, a aparecer como a opção mais cómoda e indicada para quem procura uma condução mais relaxada, mas também mais rápida e desportiva, caso o condutor decida abraçar uma condução mais ‘decidida’.

Como é ao volante?

Começámos por conduzir o Kadjar 1.3 TCE 160, cujos 160 cv permitiriam avançar até aos 210 km/h, caso a lei e os agentes da autoridade que a aplicam  não nos aconselhassem a (muita) moderação. Mas a capacidade de aceleração está lá – anuncia 0-100 km/h em 9,3 segundos –, bem como a resposta pronta a qualquer solicitação do acelerador.

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Depois de nos satisfazermos com a capacidade de aceleração, fomos ver até que ponto em auto-estrada e remetidos a uma velocidade de 120 km/h, quanto é que o Kadjar 1.3 TCE 160 conseguia consumir. A média fixou-se nos 7,2 litros/100 km, um valor bem mais interessante do que a média acima dos 11 litros que atingimos, quando brincámos com o acelerador sem preocupações, e que não fica muito acima de um motor diesel com potencial similar.

Com a chegada da estrada que nos levaria às minas de São Domingos, foi altura de testar o conforto, que nos pareceu bom, apesar de o Kadjar ter montados uns Michelin Pilot Sport 4, com muito de desportivo e nada de SUV. Se o conforto não sofreu, o comportamento melhorou e muito, como seria de esperar de um dos melhores pneus do mercado indicado para modelos desportivos, onde a eficácia em curva é determinante. Que faz igualmente maravilhas no Renault.

A coisa poderia ter-se complicado quando fomos desafiamos a uma incursão por estradões de terra. Apesar dos Pilot Sport 4 montados em jantes de 19”, não sentimos problemas, tendo conseguido percorrer o percurso sem furos. Mas para quem utilize o Kadjar habitualmente nestas aventuras, o melhor é optar pela versão com Grip Control, que monta uns pneus Mud&Snow, menos bons em asfalto, mas substancialmente mais eficientes em terra e lama.

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No dia seguinte tivemos a oportunidade de conduzir o 1.5 Blue dCi 115 que, nas mesmas condições do TCE 160, faz médias de 4,8 litros. É certo que há uma diferença importante de potência, que o leva a anunciar apenas 189 km/h e 0-100 km/h em 11,7 segundos (sempre com a caixa 7 EDC), mas ainda assim não deixa de ser um bom valor. Para quem estiver com pressa, ou gostar de acelerar, vai ter de esperar pelo motor 1.7 Blue dCi 150. É um facto que o motor de 115 cv a gasóleo é mais económico e serve melhor para 90% dos clientes, mas a realidade é que os motores a gasolina não são muito mais dispendiosos de alimentar, pelo menos só depois de cerca de 150 mil quilómetros o condutor se vai sentir ressarcido dos cerca de 4.000€ que pagou a mais pelo motor a gasóleo.

Como é de preços?

O Kadjar vai estar disponível com os níveis de equipamento Zen, Intens e Black Edition, sendo que a versão mais acessível é o TCE 1.3 140 Zen, proposto por 27.770€. O nível Intens obriga a um investimento inicial superior em 2.120€, para o Black Edition exigir mais outro tanto.

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Se o motor com 140 cv só está disponível em Zen e Intens, o 160 cv a gasolina permite optar apenas pelos Intens e Black Edition, com preços a partir de 30.390€. A versão mais dispendiosa é a turbodiesel, à venda a partir de 31.140€, mais cerca de 1.500€ caso se dê preferência à caixa 7 EDC. Veja todos os preços aqui.

A versão mais vendida será provavelmente a 1.5 Blue dCi, mas a 1.3 TCE, com 140 e 160 cv não andará longe, sendo pelo menos esta a expectativa da marca francesa para o mercado nacional. Certo é que acredita ser possível elevar os 5% de um segmento que transaccionou 25.000 veículos em 2018, para 10% das 28.000 unidades que deverá atingir em 2019, o que representa um salto considerável, o suficiente para estar confortavelmente no top 3 dos SUV do segmento C.