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Alimentação

Produção industrial de alimentos vai matar cinco milhões pessoas até 2050

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Novo estudo avança um sistema alimentar circular para resolver o problema, onde o cultivo de alimentos é regenerativo e local, e defende que o poder para uma revolução alimentar está nas cidades.

Nos próximos 30 anos o número de mortes devido à produção industrial de alimentos será o dobro das causadas por obesidade

ERIK S. LESSER/EPA

Cinco milhões de pessoas por ano vão morrer devido a danos causados pela produção industrial de alimentos até 2050, conclui um relatório Fundação Ellen MacArthur, apoiada pela Fundação Gulbenkian, que será esta quinta-feira apresentado.

Segundo o documento, que será divulgado no Fórum Económico de Davos, nos próximos 30 anos o número de mortes devido a fatores de produção industrial de alimentos será o dobro das causadas por obesidade e quatro vezes o número de mortes em acidentes de viação atualmente. Hoje em dia, adianta o estudo, a produção de alimentos é responsável por quase um quarto das emissões de gases com efeito estufa.

A poluição do ar, a contaminação da água, a exposição a pesticidas e o uso excessivo de antibióticos e fertilizantes tornam a alimentação saudável impossível para as pessoas em todo o mundo”, refere o documento.

Como proposta de resolução do problema, o relatório avança um sistema alimentar circular para as cidades, onde o cultivo de alimentos é regenerativo e, quando possível, local. “As cidades são fundamentais para esta revolução alimentar”, avisa, referindo que, em 2050, será nas cidades “que se consumirão 80% dos alimentos produzidos em todo o mundo”, o que “lhes confere o poder de conduzir a mudança para este sistema saudável”.

O estudo realizado pela Fundação Ellen MacArthur, com o apoio da Fundação Gulbenkian, baseou-se em números e estatísticas globais, focando-se em quatro cidades: Bruxelas, Guelph, São Paulo e Porto.

Segundo conclui, os esforços das cidades para eliminar o desperdício e melhorar a saúde através da economia circular podem poupar cerca de 2,3 biliões de euros por ano à economia global. O desperdício será eliminado através da melhor redistribuição e uso de coprodutos, e os alimentos saudáveis são produzidos sem a necessidade de práticas nocivas.

“Os gastos com a saúde, causados pelo uso de químicos e pesticidas, diminuiriam em 465 mil milhões de euros por ano, e a resistência antimicrobiana, a poluição do ar, a contaminação da água e as doenças transmitidas por alimentos reduziriam significativamente”, consideram as fundações no relatório.

A emissão de gases de efeito estufa poderiam diminuir o equivalente a retirar permanentemente mil milhões de carros da estrada, aponta, considerando ainda que, no sistema circular, a degradação de 15 milhões de hectares de solo arável seria evitada e 450 biliões de litros de água doce seriam economizados anualmente.

A Fundação Ellen MacArthur foi criada em 2010 com o objetivo de acelerar a transição para a economia circular. Segundo defende, a economia circular elimina o conceito de resíduo e constrói capital económico, natural e social através de três princípios: a reconstrução do capital natural, a manutenção dos produtos e materiais em uso, e a eliminação da poluição e dos resíduos.

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