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Nações Unidas

RCA. ONU já controla Bambari. Forças especiais portugueses foram fundamentais no combate à violência

Os violentos combates que decorreram em meados deste mês estão neutralizados. Portugal está presente no país desde o início de 2017.

Militares portugueses no centro de comando da EUTM em Bangui, República Centro-Africana

Tiago Petinga/LUSA

Bambari, cidade estratégica da República Centro-Africana (RCA) onde decorreram violentos combates em meados deste mês entre um grupo armado e ‘capacetes azuis’ portugueses, está “sob controlo”, anunciou esta quinta-feira a missão da ONU no país (MINUSCA).

“Hoje, controlamos a situação em Bambari”, anunciou o general Seigle, chefe de Estado-Maior da MINUSCA, em conferência de imprensa.

“As lojas começaram a reabrir”, corroborou Bara Dieng, chefe da MINUSCA em Bambari.

Em 10 de janeiro, milicianos do grupo armado Unidade para a Paz da República Centro-Africana (UPC, que integrou a coligação rebele Séléka) atacaram em Bambari militares das forças armadas do país e ‘capacetes azuis’, antes de uma cerimónia oficial à qual deveria assistir o Presidente, Faustin-Archange Touadéra. Mas foi anulada.

“Os grupos armados tinham prometido que iam impedir a cerimónia. Conseguiram-no”, lamentou Victor Bissekoin, prefeito de Ouaka, cuja capital é Bambari, durante a conferência de imprensa.

Depois deste ataque, a ONU lançou uma resposta para “caçar ou neutralizar todos os grupos armados em Bambari”, segundo a ONU.

Violentos combates ocorreram na localidade, para onde foram deslocadas forças especiais portuguesas, o contingente de elite da missão.

Dois Mirage 2000 franceses também foram mobilizados para efetuar uma ‘demonstração de força’ — uma passagem a baixa altitude — sobre Bambari.

Pelo menos seis pessoas foram mortas e mais de 30 outras feridas desde dia 10, segundo a ONU. Vários quadros do UPC ficaram feridos nos combates.

“A cobrança de impostos (pelo UPC), as salas de detenção e as bases destes grupos armados são símbolos que foram destruídos”, felicitou-se hoje Dieng.

Em 2017, a MINUSCA já tinha atuado em Bambari para desalojar o UPC, que lá tinha instalado a sua base.

Depois, a ONU tinha feito da localidade uma montra da sua intervenção na RCA, argumentando que aquela estava “sem armas, nem grupos armados”.

Mas o UPC e as milícias antibalaka (grupos de autodefesa que reivindicam defender os cristãos dos grupos armados de maioria muçulmana) continuavam presentes na cidade ou nos seus arredores.

Na quinta-feira, começam as negociações de paz entre o governo de Bangui e os grupos armados, em Cartum, sob a égide da União Africana.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA).

No início de setembro, o major-general do Exército Marco Serronha assumiu o cargo de 2.º comandante da MINUSCA, que já sofreu 75 mortos desde que foi criada, em 2014.

Aquela que já é a 4.ª Força Nacional Destacada Conjunta no país é composta por 180 militares (177 do Exército e três da Força Aérea) e iniciou a missão em 05 de setembro. Outros seis militares do Exército português integram o comando da missão das Nações Unidas.

Portugal também integra e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

Na EUTM-RCA, que está empenhada na reconstrução das forças armadas do país, Portugal participa com um total de 53 militares (36 do Exército, nove da Força Aérea, cinco da Marinha e três militares brasileiros).

A República Centro-Africana caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados, e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O governo do Presidente Faustin-Archange Touadéra, um antigo primeiro-ministro que venceu as presidenciais de 2016, controla cerca de um quinto do território.

O resto é dividido por mais de 15 milícias que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

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