De um lado uma equipa que, depois de um começo errático e com quatro derrotas consecutivas numa fase prematura da Liga, acertou passo e levava uma série de nove vitórias seguidas; do outro, um conjunto que até este momento só sabia ganhar em todas as provas nacionais, entre Campeonato e Taça de Portugal. Todas as condições para um grande jogo de basquetebol com mais uma pitada de rivalidade por estar em causa um clássico. De um lado o FC Porto, do outro o Benfica. Confirmaram-se todas as melhores perspetivas em relação à qualidade do jogo, houve surpresa no desequilíbrio acentuado ao longo dos 40 minutos e um vencedor diferente do primeiro clássico realizado na Luz: os dragões ganharam às águias por claros 96-78.

À semelhança do que tinha acontecido no encontro da primeira volta da fase regular, no início de novembro (então com vitória do Benfica por 93-88), os ataques voltaram a superar as defesas no arranque e os visitados demoraram pouco mais de três minutos para estabelecerem uma diferença de dez pontos no marcador, com destaque para as ações de João Soares e Will Sheehey. Arturo Alvaréz, técnico dos encarnados, parou o jogo com 15-5, o internacional português Fábio Lima entrou inspirado em campo com cinco pontos seguidos mas a dança de substituições foi também melhor para os azuis e brancos, que terminaram o primeiro período com 15 pontos de vantagem catapultados pela boa prestação do base Pedro Pinto.

O Benfica, até aqui sem qualquer derrota no Campeonato, tinha de reagir para voltar a entrar na discussão da partida e ainda conseguiu durante alguns minutos, com o capitão Tomás Barroso a ter uma boa entrada no jogo e a dar outro critério no ataque que acompanhou uma ténue melhoria na defesa. Com apenas sete pontos de vantagem, Moncho López, treinador do FC Porto, parou o jogo, os dragões corrigiram algumas situações que deixaram de funcionar e voltaram a assumir o controlo do encontro, alargando em pouco tempo a vantagem para 14 pontos que seria ainda maior ao intervalo, depois de Prostran ter convertido um lançamento triplo nos últimos segundos que colocou o resultado ao descanso em 56-39.

Percentagens de lançamentos à parte, havia duas grandes diferenças entre as equipas: por um lado, a qualidade e agressividade defensivas, que no basquetebol são mais de meio caminho andado para o sucesso; por outro, a versatilidade de opções ofensivas apresentadas e as diferenças dos ressaltos na tabela contrária, que davam novas posses de bola para ataques organizados. Alvaréz percebia esses dados mas, apesar de todas as tentativas que foi colocando em campo, nunca conseguiu contrariar uma tarde para esquecer dos encarnados, em contraponto com os azuis e brancos que, mesmo fazendo muita rotação entre os seus elementos, mantiveram o nível alto que permitiu chegar ao final do terceiro período com uma vantagem de 29 pontos (87-58).

Nos últimos dez minutos, a qualidade da partida caiu e houve menos jogo coletivo de ambos os conjuntos num encontro que já se encontrava decidido e que terminou com 96-78. Com este resultado, o Benfica pode ser alcançado na classificação pela Oliveirense, que defronta este domingo o Lusitânia dos Açores e pode igualar os encarnados na liderança a duas semanas de se encontrarem em Oliveira de Azeméis. Antes, mais concretamente no próximo fim de semana, há também Oliveirense-FC Porto.