A Apple parece ter perdido a magia. Depois de estar na vanguarda, nos telemóveis e iPad, entre muitos outros dispositivos que enchiam os cofres da empresa, quando eram os melhores do mercado – e os que mais vendiam –, a companhia começa a ser ultrapassada em vendas e especificações pelos adversários chineses e sul-coreanos, o que corrói a imagem da marca, o seu “asset” mais valioso.

Uma das apostas da Apple é a condução autónoma, isto depois de ter tentado fabricar o seu próprio automóvel, de que desistiu rapidamente quando percebeu que os carros estão longe de garantir os 37% de margem de lucro dos telemóveis – fabricados na China, claro –, apesar de a Tesla pretender atingir 20 a 25%. Mas se a produção de carros parece ter sido erradicada do programa da Apple, a condução autónoma ainda não, apesar de, na nossa opinião, ser uma questão de tempo.

Com menos proveito nas áreas tradicionalmente lucrativas, o gigante americano optou por fazer cortes nos negócios menos interessantes, sobretudo naqueles que ainda não arrancaram, como a condução autónoma. Despediu cerca de 200 técnicos do seu projecto Titan, que apuravam a solução que visava garantir que os automóveis poderiam circular sem condutor, por a tecnológica acreditar que os fabricantes de automóveis, que vão necessitar de sistemas autónomos, estarão dispostos a pagar fortunas a quem já os tenha desenvolvido, o que seria uma boa fonte de lucro.

Ora se a Apple está a “patinar” com a condução autónoma, a Google, através da sua divisão Waymo, continua de vento em popa. É ela quem está mais avançada nesta matéria e é também ela que promete ter o software e hardware mais eficazes para levar um veículo do ponto A ao B, sem intervenção do condutor e sem encalhar em nada. Daí que a Waymo, que está a montar um centro de desenvolvimento e produção no Michigan, com uma área de 18.580 m2, que espera ter a funcionar em pleno já em 2021, tenha já 100 técnicos a trabalhar a tempo inteiro. Mas o objectivo é reforçar essa equipa em 300 elementos até 2025, pelo que muitos dos quadros da Apple deverão encontrar lugar na divisão de veículos autónomos da Google.