Os EUA estão mais perto de sair do Afeganistão, depois de nesta segunda-feira ter sido anunciado que Washington D.C. chegou a um princípio de acordo com os talibãs, a guerrilha terrorista que as tropas norte-americanas combatem naquele país desde outubro de 2001.

O avanço histórico entre as duas partes foi comunicado ao The New York Times pelo enviado norte-americano para as negociações de paz com os talibãs, que têm decorrido em Doha, capital do Qatar. “Chegámos a um rascunho do princípio de acordo, que terá ainda de ser polido para se tornar num acordo”, disse Zalmay Khalilzad. “Os talibãs comprometeram-se, o que nos satisfez, com aquilo que é necessário para prevenir o Afeganistão de alguma vez se tornar numa plataforma para grupos ou indivíduos terroristas internacionais.”

Da parte dos talibãs, os EUA terão conseguido um princípio de acordo em que aquele grupo terrorista se compromete a fazer duas coisas tidas como essenciais pelos norte-americanos. A primeira é a garantia de que os talibãs não vão atuar em solo afegão. A segunda é a promessa de aquele grupo acordar um cessar-fogo com o Afeganistão e aceitar negociar a paz com o governo de Ashraf Ghani.

Em troca, os EUA comprometem-se a fazer uma retirada completa das suas tropas do Afeganistão, que ali chegaram em outubro de 2001 e que, desde então, atravessaram as diferentes fases da guerra ali instalada. Esta é já a segunda guerra mais longa da era moderna dos EUA, ficando atrás apenas da guerra do Vietname, que durou quase 20 anos.

Neste momento, há praticamente 17 mil soldados da NATO no Afeganistão, oriundos de 39 países. Entre estes, mais de metade — 8475, mais especificamente — são dos EUA. Também há 193 militares portugueses nos EUA.

Enviado dos EUA no Paquistão para negociar o fim da guerra no Afeganistão

u.s.