Rádio Observador

Forças Policiais

Vídeo de abusos pelas forças policiais deixa presidente do Zimbabué “estupefacto”

Os protestos contra o aumento dos combustíveis anunciado por Mnangagwa em 12 de janeiro levaram a um aumento da repressão pela polícia e exército, causando, pelo menos, 12 mortos e 300 feridos.

Emmerson Mnangagwa, o presidente do Zimbabué, lidera o país desde finais de 2017, depois da demissão do histórico líder Robert Mugabe

SERGEI CHIRIKOV / POOL/EPA

O presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, ficou “estupefacto” com uma reportagem da estação de televisão Sky News, que reproduziu um vídeo de abusos pelas forças de segurança, e ordenou que estes elementos fossem detidos. “Fiquei estupefacto com a reportagem da Sky News”, escreveu o chefe de Estado zimbabueano na plataforma social Twitter, acrescentando que aquela “não é a maneira de o Zimbabué” atuar.

“Já ordenei que os indivíduos responsáveis por isto sejam detidos e encorajo todos os afetados a contactar as autoridades e a apresentarem queixa oficial”, apontou o presidente, que lidera o Zimbabué há pouco mais de um ano.

Os protestos contra o aumento dos combustíveis anunciado por Mnangagwa em 12 de janeiro levaram a um aumento da repressão pela polícia e exército, causando, pelo menos, 12 mortos e 300 feridos — muitos com ferimentos de balas –, de acordo com médicos e grupos de direitos humanos. Pelo menos 600 pessoas terão sido detidas.

Vários grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que o fim dos protestos contra os aumentos, que colocaram o Zimbabué como o país com combustíveis mais caros no mundo, não reduziu a carga policial, e apontam que as forças militares têm promovido detenções aleatórias, agressões, tortura, raptos e violações. Estas ações levaram a que membros da oposição e líderes civis tenham procurado esconder-se.

A mensagem de Mnangagwa foi recebida com algum ceticismo por grupos de defesa dos direitos humanos, que assistem a uma continuação de relatos de abuso depois de, na semana passada, o chefe de Estado ter prometido, após regressar de uma visita à Rússia, que os iria investigar.

Vários zimbabueanos questionaram a razão de Mnangagwa apenas se ter pronunciado após o caso ter sido noticiado pela imprensa estrangeiros, quando os órgãos de comunicação locais e organizações não-governamentais (ONG) já tinham reportado violência contra civis há mais de uma semana.

O diário estatal Chronicle noticiou que a polícia do Zimbabué iniciou esta segunda-feira uma “caça ao homem” a pelo menos 27 ativistas e membros da aliança Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) — uma das principais forças da oposição ao partido no poder –, por “pilhagens desenfreadas, incitação nas redes sociais e destruição de propriedade” durante três dias de greve, convocada pela Confederação Sindical do Zimbabué.

O jornal, com sede na capital, Harare, aponta que “a violência instigada pela aliança do MDC e pelos seus associados no setor não-governamental deixou um rasto de destruição na maior parte das cidades” e que “os organizadores também utilizaram as redes sociais para ameaçar pessoas que pretendiam ir trabalhar” durante a greve geral de três dias.

A greve foi convocada pela confederação de sindicatos, que viu o aumento do preço de combustíveis pelo presidente como “uma loucura”. Emmerson Mnangagwa anunciou a multiplicação dos preços da gasolina em 2,5 vezes, na esperança de reduzir o consumo e os tráficos associados à desvalorização da moeda.

O anúncio de Mnangagwa colocou o Zimbabué como o país com os combustíveis mais caros no mundo, de acordo com o portal GlobalPetrolPrices. Durante os protestos, o acesso a plataformas sociais como Facebook, Twitter e WhatsApp foi limitado, empresas e escolas encerradas e transportes públicos suspensos, apesar de o Governo afirmar que a segurança estava garantida.

Emmerson Mnangagwa assumiu a liderança do Zimbabué no final de 2017, depois da demissão do histórico líder Robert Mugabe.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)