O Tribunal Supremo do Paquistão deu esta terça-feira o último passo para que a cristã Asia Bibi possa abandonar o país, ao rejeitar o recurso contra a sua absolvição pelo crime de blasfémia, pelo qual havia sido condenada à morte.

“O recurso foi rejeitado”, disse o presidente do Tribunal Supremo do Paquistão, Asif Saeed Khosa, que liderou o coletivo de três juízes que estudaram o recurso contra a sentença de absolvição de Asia Bibi, emitida a 31 de outubro. “A imagem do Islão que estamos a mostrar ao mundo dá-me muita dor e tristeza”, afirmou ainda Khosa.

Após esta decisão histórica, Asia Bibi poderá finalmente juntar-se às filhas, que fugiram para o Canadá, onde receberam asilo.

Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi denunciada em 2009 por duas mulheres por ter alegadamente insultado o profeta Maomé. Em 2010 foi condenada à morte e quatro anos depois perdeu um recurso apresentado a um tribunal superior de Lahore (leste).

Em finais de outubro, o Supremo Tribunal do Paquistão ilibou a cristã, o que provocou protestos de islamitas organizados pelo partido Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP).

Este partido chegou depois a acordo com o Governo do primeiro-ministro Imran Khan para que Asia Bibi fosse proibida de sair do país enquanto não houvesse uma decisão do Supremo sobre o recurso contra a sua absolvição.

Asia Bibi foi libertada a 07 de novembro e levada para um local “seguro”, segundo o governo.

Um grupo islamita advertiu, na segunda-feira, o Supremo Tribunal do Paquistão de que o país poderia “arder” se hoje tomasse uma decisão “errada” em relação ao recurso contra a absolvição da cristã Asia Bibi.

“Não queremos que o país arda por uma decisão errada”, afirmou num vídeo Shafiq Ameeni, líder interino do partido Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP), que praticamente paralisou o país durante três dias quando Bibi foi absolvida no final de outubro depois de oito anos na prisão, enquanto aguardava o cumprimento da pena de morte.

Ameeni rejeitou os três juízes que analisarão o recurso na terça-feira, entre os quais o presidente do Supremo, Asif Saeed Khan Khosa, que classificou de “irresponsáveis, e pediu a presença de clérigos no tribunal.

Em finais de novembro, o governo paquistanês anunciou a detenção do líder do TLP, Khadim Hussain Rizvi, e de 3.000 dos seus seguidores, na sequência dos protestos.