Mais de metade dos militares das Forças Armadas no regime de contrato abandona as fileiras antes de terminarem os seis anos de vínculo. No ano passado, segundo números que o próprio Ministério da Defesa enviou ao Jornal de Notícias, dos 3101 militares que deixaram os três ramos, 1759 militares puseram um fim antecipado aos respetivos contratos.

A maior parte das saídas ocorreu no Exército, que é, ao mesmo tempo, o mais numeroso dos ramos. Dos quase 1760 militares que pediram para rescindir contrato, 1564 são daquele ramo. Entre Exército, Marinha e Força Aérea, Portugal tem atualmente 10.657 militares em regime de contrato.

O quadro não é novo para as associações militares, que apontam a precariedade, os baixos salários e a falta de progressão na carreira como as razões mais fortes para que os homens e mulheres nas fileiras dos três ramos não cheguem a cumprir os seis anos de contrato — mesmo que o regime de incentivos para a reintegração na vida civil continue a ser considerado insuficiente.