Cerca de 2.270 migrantes morreram ou desapareceram no mar Mediterrâneo em 2018, uma média de seis pessoas por dia, alertou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) num relatório apresentado esta quarta-feira.

No relatório intitulado “Viagem desesperada”, o ACNUR indicou que grande parte das mortes ocorreram em naufrágios e só nas rotas da Líbia para a Europa, uma em cada 14 pessoas morreu, representando um forte aumento em relação ao ano de 2017.

Segundo a ACNUR, nas rotas terrestres verificaram-se 136 mortes, em comparação com as 75 no ano anterior.

O relatório destaca o declínio geral dos fluxos migratórios para a União Europeia (UE) através do Mediterrâneo nos últimos 12 meses (139.300, face aos 172.324 no ano anterior), apesar do aumento na rota ocidental, isto é, os que chegam a Espanha, onde aumentaram 131% em um ano (de 28.300 em 2017 para 65.400 em 2018).

A ACNUR referiu que apesar do “impasse político” na UE em gerir o resgate e o desembarque de navios com migrantes, “vários Estados comprometeram-se em realocar as pessoas resgatados no Mediterrâneo central”, acrescentando que isto pode “servir de base para uma solução previsível e duradoura”.

Salvar vidas no mar não é uma opção, nem uma questão de política, mas uma obrigação antiga”, realçou Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, na apresentação do relatório.

Podemos acabar com estas tragédias, tendo coragem e visão para olhar além do próximo navio e adotar uma abordagem de longo prazo baseada na cooperação regional, que coloca a vida humana e a dignidade no seu centro”, acrescentou.

No relatório “Viagem desesperada”, a ACNUR indica que a Espanha continuará a ser em 2019 a principal porta de entrada dos migrantes para a UE, o que exigirá “solidariedade e esforços para melhorar as condições de acolhimento”.

Em Espanha, registou-se um aumento significativo no número de mortes e desaparecimentos no mar, passando de 202 em 2017 para 777 em 2018, sublinhou o ACNUR.

A agência das Nações Unidas para os refugiados apresenta várias recomendações para enfrentar os desafios colocados pela situação dos migrantes, começando pela necessidade de criar na UE “um mecanismo para realocar requerentes de asilo dos Estados-Membros da UE que recebem um número desproporcional de pedidos”.

Até que tal mecanismo seja estabelecido, o ACNUR incentiva ao fecho de “acordos ‘ad hoc'” para promover a responsabilidade compartilhada, que devem providenciar uma realocação voluntária.

O ACNUR também recomenda o uso de procedimentos “acelerados e simplificados” para processar rapidamente os pedidos de asilo e ajudar as pessoas que precisam de proteção internacional.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou hoje que os 47 migrantes que estão há onze dias no barco humanitário Sea Watch 3 irão desembarcar nas próximas horas, depois de alcançado um acordo de transferência com sete países europeus, incluindo Portugal.

“O Luxemburgo foi adicionado à lista de países amigos que responderam ao nosso convite (para receber migrantes). Agora somos sete países. Nas próximas horas, as operações de desembarque vão começar”, afirmou Conte.

Giuseppe Conte explicou, numa conferência de imprensa durante uma cerimónia em Milão, que o desembarque acontecerá depois de seis países, Alemanha, Portugal, França, Roménia, Malta e Luxemburgo, terem respondido ao apelo juntando-se a Itália para realocarem estas pessoas.

O navio Sea Watch 3, da organização não-governamental (ONG) alemã homónima, salvou, a 19 de janeiro, essas 47 pessoas, entre as quais menores desacompanhados, que viajavam num barco próximo da costa da Líbia.

Há vários dias que o navio está próximo da costa de Siracusa (na Sicília) refugiando do mau tempo na região.

Cerca de 5.757 migrantes e refugiados chegaram à Europa por via marítima nos primeiros 27 dias deste ano, um pequeno aumento face às 5.502 chegadas registadas no mesmo período de 2018, segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM).