O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou esta quarta-feira militares que desertaram de se terem tornado “mercenários” e estarem a conspirar contra o seu país a partir de Colômbia com o objetivo de dividir o exército venezuelano.

“Um grupo de militares desertores, que se tornaram mercenários ao serviço da oligarquia colombiana, conspira a partir da Colômbia para dividir as forças armadas (…). E onde aparecer um traidor, justiça!”, disse Maduro antes de começar uma marcha ao lado de 2.500 militares.

Em cenas transmitidas pela televisão estatal, Maduro pode ser visto a andar pela base militar do Forte Tiuna, em Caracas, na madrugada desta quarta-feira com os principais comandantes e dezenas de soldados. “Amam a vossa pátria? Defenderão a constituição? Defenderão o seu comandante em chefe?”, perguntou Maduro às tropas, que responderam com gritos: “Sim, comandante em chefe!”

Desde que o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se declarou Presidente interino na semana passada, Maduro apareceu quase diariamente na televisão estatal com os seus militares, projetando uma imagem de invencibilidade, mesmo quando a pressão internacional aumenta contra o seu Governo.

Os apoiantes do Guaidó estão a planear esta quarta-feira um protesto nacional para aumentar a pressão sobre Maduro.

O Presidente da Venezuela disse esta quarta-feira à agência de notícias russa RIA Novosti que está disposto a sentar-se com a oposição para dialogar com uma agenda aberta, sobre a “paz e o futuro” do país.

As declarações de Nicolás Maduro à RIA Novosti surgem em plena crise política, que se agravou em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional autoproclamou-se Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Maduro.

A autoproclamação de Juan Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos, depois de ter prometido formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Maduro também disse que atualmente existem conversações neste sentido e espera que “haja bons resultados nas próximas horas”, já que vários governos lançaram a ideia de um diálogo, como o México, Uruguai, Bolívia, o Vaticano e a Rússia, entre outros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse hoje que a Rússia está pronta para participar numa mediação internacional para tentar resolver a atual situação na Venezuela.

A UE já fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias, findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.

A repressão dos protestos antigovernamentais da última semana causou 35 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.