O crescimento homólogo das economias da zona euro e da União Europeia (UE) abrandou no quarto trimestre de 2018, segundo uma estimativa rápida do Eurostat divulgada esta quinta-feira. A taxa de crescimento — de 1,2% — é a mais baixa desde 2013, um valor “dececionante”, dizem os bancos de investimento. Itália caiu em recessão económica, no final de um ano marcado pela incerteza política.

De acordo com a estimativa do gabinete estatístico da UE, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro cresceu, entre outubro e dezembro de 2018, 1,2% em termos homólogos, um ritmo menor do que o de 1,6% registado no terceiro trimestre de 2018. Fatores como as manifestações dos “coletes amarelos” em França, as dúvidas em torno da indústria automóvel na Alemanha e os receios em torno da chamada “guerra comercial” e em relação às subidas das taxas de juro nos EUA ajudarão a explicar o abrandamento da economia europeia. Em cadeia, a economia cresceu 0,2%.

Esta estimativa rápida não inclui dados desagregados para os Estados-membros, mas em Itália foi divulgada a informação, a nível nacional, de que a economia recuou 0,2% no quarto trimestre (em relação ao trimestre anterior). Já no terceiro trimestre tinha havido um crescimento negativo de 0,1%, em relação aos três meses anteriores, cumprindo, assim, a definição que é usada normalmente para descrever uma recessão técnica — dois trimestres consecutivos de taxas de crescimento em cadeia negativas.

“O crescimento de apenas 0,2% em termos trimestrais confirma o ambiente de crescimento baixo em que caiu a zona euro e não se vislumbra uma saída fácil, tendo em conta que os riscos negativos continuam a persistir neste início de 2019”, comentam analistas do ING, que consideram o indicador “dececionante”. O ING acredita que estes indicadores reforçam o receio de que as atuais estimativas de crescimento do BCE para 2019 — 1,7% — não serão uma previsão fácil de cumprir”.