O presidente da Assembleia da República deixou o alertou esta quinta-feira: “avizinham-se tempos sombrios, com o ressurgimento de ideologias” que se julgavam “definitivamente desacreditadas” e com o “crescente apoio a políticos e movimentos antidemocráticos“. Ferro Rodrigues intervinha numa cerimónia realizada na Assembleia da República evocativa do Dia Internacional da Memória do Holocausto.

Avizinham-se tempos sombrios, com o ressurgimento de ideologias que julgávamos definitivamente desacreditadas e atiradas para o lixo da História, e com o crescente apoio a políticos e movimentos antidemocráticos, portadores de mensagens xenófobas e racistas”, advertiu Eduardo Ferro Rodrigues

O presidente da Assembleia da República considerou que é “importante persistir na homenagem à memória das vítimas do Holocausto”, para que não caiam no “esquecimento as consequências do ódio racial, religioso ou político, do ódio gerado pela cor, origem étnica ou nacional, orientação sexual ou deficiência física ou psíquica”.

Na sua intervenção, Eduardo Ferro Rodrigues citou uma sondagem realizada por uma cadeia de televisão norte-americana, em setembro 2018, que indicava que em sete Estados europeus — Áustria, França, Alemanha, Reino Unido, Hungria, Polónia e Suécia — um em cada 20 cidadãos desses Estados nunca ouviram falar do Holocausto.

Ferro Rodrigues realçou que apesar de a memória do Holocausto se estar a desvanecer, o “antissemitismo, sempre latente, tem vindo a ressurgir” nos últimos anos.

“Décadas depois do Holocausto, níveis chocantes e crescentes de antissemitismo continuam a assolar a UE [União Europeia]”, sublinhou Michael O’Flaherty, diretor da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, citado por Ferro Rodrigues.

No relatório, intitulado “Experiências e perceções de antissemitismo — Segundo inquérito sobre discriminação e crimes de ódio contra judeus na UE”, Michael O’Flaherty aponta para “níveis crescentes de antissemitismo e racismo, com 85% dos inquiridos a considerá-los como os mais prementes problemas dos Estados-membros da UE”.

Segundo o documento, “89% dos entrevistados sentem que o antissemitismo está a aumentar no seu país”. O inquérito, recaiu sobre indivíduos que se identificam como sendo judeus e foi efetuado nos 12 Estados-membros onde, estima-se, reside 96% da população judaica na União Europeia — Áustria, Bélgica Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, Polónia, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Ferro Rodrigues considerou “assustador” constatar nessa sondagem que 18% dos inquiridos afirma que o “antissemitismo nos seus países é uma resposta ao comportamento quotidiano da comunidade judaica”.

O Presidente da Assembleia da República defendeu que “tão importante como recordar” é “insistir na educação das gerações presentes e futuras sobre as causas do nazismo e de outras ideologias racistas e xenófobas para que a história não se repita”.

É insistir na aprendizagem democrática da tolerância e do respeito pelos direitos humanos, para que o ódio, o preconceito e o medo não ganhem terreno no espaço público e nos próprios sistemas políticos democráticos”, salientou

A citada sondagem da cadeia de televisão norte-americana mostra que dois terços dos inquiridos acreditam que comemorar o Holocausto “ajuda a garantir que tais atrocidades nunca mais acontecerão” e metade dos sondados admite que a comemoração “ajuda a combater o antissemitismo nos dias de hoje”.

A Assembleia da República recebe a exposição “Desenhar contra o Esquecimento” na celebração do Dia Internacional da Memória do Holocausto. O Dia Internacional da Memória do Holocausto, comemorado em 27 de janeiro, assinala a libertação do principal campo de concentração nazi, Auschwitz, na Polónia.