A consultora FocusEconomics considera que Angola deve sair da recessão económica dos últimos três anos já em 2019, mas alerta que os analistas estão a ficar menos otimistas sobre a robustez da recuperação da economia.

“A economia deve emergir este ano da recessão do ano passado, animada por uma procura interna mais robusta, apesar de os analistas continuarem a degradar a robustez da recuperação”, lê-se na análise deste mês às economias da África subsaariana, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso.

“O abrandamento da subida da inflação deve aumentar o consumo das famílias, enquanto as reformas económicas implementadas com o apoio do Fundo Monetário Internacional devem potenciar o crescimento do investimento e da atividade económica este ano”, escrevem os economistas desta consultora baseada em Barcelona.

No entanto, alertam, “tendo em conta a crónica dependência de Angola do setor petrolífero, um crescimento dos preços internacionais abaixo do previsto e uma produção mais curta que o previsto continuam a ser os principais riscos para a previsão de evolução da economia”.

A FocusEconomics antevê que Angola cresça 1,3% este ano, o que representa uma descida de 0,6 pontos face à previsão do mês passado, e antevê uma expansão de 2,4% da economia angolana.

Moçambique: o peso da dívida continua

A consultora FocusEconomics considerou esta quinta-feira que a acusação judicial norte-americana no caso das dívidas ocultas pode abrir a possibilidade de Moçambique conseguir um acordo mais favorável nas negociações sobre a reestruturação da dívida soberana.

“O caso é significativo porque pode abrir a possibilidade de obter condições mais favoráveis nas negociações para a reestruturação da dívida”, lê-se na análise deste mês às economias da África subsaariana, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso.

Para os analistas desta consultora sediada em Barcelona, a perspetiva de evolução da economia moçambicana é apresentada como ‘favorável’, apesar de os dados macroeconómicos disponíveis mostrarem que “a fraca dinâmica de crescimento do terceiro trimestre manteve-se no último trimestre do ano passado”.

“A atividade económica manteve-se em linha com a média do terceiro trimestre e apesar de a confiança dos empresários ter recuperado, em novembro, do valor mais baixo dos últimos 12 meses, a média do último trimestre do ano deverá ter sido mais baixa que a do terceiro trimestre, o que indica uma atividade privada limitada”, dizem os analistas.

O crescimento económico deve acelerar este ano, “principalmente à custa de um aumento das despesas de capital”, mas o peso da dívida continua a limitar a perspetiva de evolução da economia, que deverá crescer 3,8% este ano e 4,3% em 2020.