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Câmara Municipal Lisboa

Lisboa. Ex-autarcas da Junta de Arroios começam a ser julgados por desvio de 316 mil euros

Em causa está a criação da Casa da Lusofonia, atribuição de bolsas de estudo, celebração de avenças, aquisições, consultas no posto médico e pagamentos em restaurantes, durante 4 anos.

Só em bolsas de estudo, os autarcas terão disponibilizado mais de 7.300 euros a quatro bolseiros que "não eram residentes" na junta

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Um antigo presidente e um ex-vogal da extinta Junta de Freguesia de São Jorge de Arroios, em Lisboa, acusados do desvio de 316 mil euros, ocorrido entre 2005 e 2009, começam a ser julgados esta quinta-feira.

A primeira sessão está agendada para as 9h15 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, juiz 4, no Campus da Justiça, após dois adiamentos.

Um dos arguidos requereu a abertura de instrução, mas a juíza de instrução criminal pronunciou (decidiu levar a julgamento) os ex-autarcas “pelos factos constantes da acusação” do Ministério Público (MP), a qual sustenta que os arguidos gastaram o dinheiro em viagens, restauração, combustível e na contratação de serviços e avenças, alguns celebrados com familiares.

Segundo o despacho de acusação do MP, a que a agência Lusa teve acesso, João Taveira, presidente da então Junta de Freguesia de São Jorge de Arroios entre 2005 e 2009, e Rodrigo Neiva Lopes, que ocupou os cargos de vogal, tesoureiro, assessor e secretário-geral durante esse mandato de executivo PSD, agiram em coautoria.

Em causa estão práticas ilícitas no âmbito de seis situações relatadas pelo MP: criação da Casa da Lusofonia, atribuição de bolsas de estudo, celebração de avenças, aquisições, consultas no posto médico e pagamentos em restaurantes.

A primeira situação ilegal descrita na acusação foi a criação da Casa da Lusofonia, que, segundo a acusação, serviu para “retirar dinheiro” à junta ou para “custear” despesas com viagens à Guiné-Bissau e Brasil, alojamentos, gastos com táxis e ajudas de custo.

A acusação frisa que os arguidos atribuíram “de forma irregular” bolsas de estudo de mais de 7.300 euros a quatro bolseiros que “não eram residentes” na junta, sendo um deles João Belchior, membro dos órgãos da Secção E do PSD de Lisboa.

Na sede da junta funcionava um posto clínico que dava consultas a qualquer cidadão, mediante o pagamento de um valor. O MP indica que João Belchior acedeu a 11 consultas de várias especialidades, perfazendo 477 euros, “caso fossem pagas”, enquanto a esposa e a filha do então presidente da junta também terão usufruído de 11 consultas avaliadas em 542 euros.

Quanto à prestação de serviços/avenças, a junta celebrou nestes anos contratos superiores a 182 mil euros “sem qualquer procedimento ou cabimento legal, não existindo para as juntas a possibilidade de nomear pessoal de apoio ao executivo”.

A acusação sustenta que foram celebrados contratos de assessoria, consultoria e prestação de serviços com vários elementos que à data pertenciam aos órgãos da Secção E do PSD Lisboa, nomeadamente João Belchior, Francisco Catalão e Nuno Lopes, irmão de Rodrigo Neiva Lopes.

Quanto a despesas com restauração, o ex-presidente da junta determinou, em 2009, que a junta pagasse 7.005 euros a um restaurante, em Cascais, sua propriedade. A acusação discrimina ainda dezenas de faturas de refeições pagas pela junta noutros restaurantes, totalizando 16.114 euros, “em proveito próprio” dos arguidos ou de terceiros.

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