A Tesla anunciou ontem, depois do fecho dos mercados, os resultados obtidos no quarto trimestre (Q4) de 2018 e, tal como se esperava, o construtor declarou pela segunda vez consecutiva resultados positivos, o que nunca tinha acontecido. Elon Musk, que já tinha avisado que iria apresentar lucros nos últimos três meses do ano, mas que esses resultados seriam inferiores aos registados no Q3, viu confirmadas as suas previsões.

Wall Street apontava para uma facturação da Tesla de 7,01 mil milhões de dólares, com o fabricante americano a surpreender pela positiva ao revelar um volume de negócios de 7,2 mil milhões de dólares. Em relação aos resultados operacionais, a marca de veículos eléctricos anunciou um lucro de 139 milhões de dólares, menos do que em Q3, o que provocou uma flutuação do valor das acções, que abriram o mercado a 301$, para caírem rapidamente até 294$ antes de subir gradualmente, com uma previsão de fecho ao fim do dia de 308$.

Desempenho comparado da Tesla com as suas rivais de luxo BMW, Daimler, Audi e Jaguar Land Rover nos últimos dois anos

Tão importante quanto os resultados no Q4, foi o facto de a marca anunciar também que o seu cash flow tinha igualmente melhorado no último trimestre do ano, em 718 milhões de dólares, tendo agora cerca de 3,7 mil milhões de dólares no banco à sua disposição. O que é bom, pois a Tesla tem alguns empréstimos que vencem em meados do ano.

Os resultados da marca foram acompanhados por uma carta aos investidores, onde o seu CEO, Elon Musk, confirmou que o Model 3 continua a ser comercializado com uma margem bruta superior a 20% e que está tudo pronto para atingir a produção de 10.000 unidades do seu veículo mais acessível antes do final de 2019, ano em que deverá transaccionar entre 360.000 e 400.000 veículos.

Nas vendas de veículos premium no mercado americano, o Tesla Model 3 transformou-se numa referência, batendo até os mais populares SUV

Em declarações à CNN, o analista Ross Gerber, da Gerber&Kawasaki, deu-se como muito satisfeito pelo desempenho da Tesla e pela sua recuperação, uma vez que a situação estava muito complicada no início de 2018. Afirma o responsável pela empresa de investimentos que hoje, com dois trimestres consecutivos de lucro, a marca entra numa segunda fase de expansão, começando a atacar em força a Europa e a China. Relembra ainda Ross Gerber que o grande investimento que o construtor já está a realizar (Gigafactory 3) no mercado chinês vai permitir-lhe incrementar a rentabilidade, aproveitando-se dos baixos custos que caracterizam aquele mercado, com a Tesla a ser um dos poucos fabricantes estrangeiros a ter um controlo total das suas linhas de produção e empresas, ao contrário dos seus concorrentes, que (ainda) têm parceiros locais impostos pelo Estado.

Em relação à anunciada saída do CFO (director financeiro) da Tesla, revelada em simultâneo com os resultados, Gerber é da opinião que Deepak Ahuja, que já esteve na empresa e que depois se reformou, aceitou regressar ao cargo de CFO para ajudar a resolver o problema bicudo que se vivia, para agora, ultrapassada a crise, regressar à reforma, deixando Zach Kirkhorn, um homem da sua confiança e que já era vice-presidente da área financeira, no seu lugar.