“Não sabemos se um sono adequado pode proteger-nos do Alzheimer”, mas, pelo sim, pelo não, “é algo que devemos experimentar”. O conselho é de David Holtzman, o professor que esteve à frente da equipa de investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, situada em St. Louis, Missouri. E o que a equipa fez foi conseguir estabelecer uma nova ligação entre a qualidade do sono e o surgimento de demência. A ponte entre perturbações de sono e a doença de Alzheimer há muito que está a ser estudada, mas o artigo que a equipa publicou na revista Science, no final de janeiro, traz algumas novidades.

Já sabíamos que os problemas de sono e a doença de Alzheimer estão associados devido a uma outra proteína — a beta amiloide — mas o que este estudo revela é que a perturbação do sono provoca o aumento rápido da proteína prejudicial tau e faz com que ela se espalhe ao longo do tempo”, explica David Holtzman.

A proteína tau, que existe normalmente no cérebro humano, pode conduzir ao aparecimento de demência em situações específicas. Quando se aglomera, pode danificar o tecido que se encontra próximo de si e promover o declínio mental. Essa era a parte já conhecida. O que a equipa da universidade norte-americana vem agora provar, depois de testes em cérebros humanos e em cérebros de ratos, é que a falta de sono leva a um crescimento anormal da tau.

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“Ainda não sabemos se ter um sono de qualidade nos vai proteger do Alzheimer. Mas mal não faz e até pode vir a desacelerar a doença. Dormir uma boa noite de sono é algo que todos nós devíamos tentar fazer”, explica o investigador, citado pela CBS Philly.

“Os nossos cérebros precisam de tempo para recuperar do stress do dia a dia”, acrescentou David Holtzman, que é também diretor do Departamento de Neurologia da universidade de Washington. No entanto, frisou que ainda não é possível garantir que o sono de qualidade proteja da demência. É nesse sentido que a investigação aponta, mas são necessárias mais evidências científicas.

“O interessante deste estudo é que sugere que fatores da nossa vida real, como o sono, podem afetar a velocidade com que uma doença se espalha pelo cérebro”, conclui o professor.

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Para chegar a estas conclusões, a equipa recolheu amostras de cérebro e de medula espinhal de oito pessoas após uma noite normal de sono. O mesmo processo foi repetido depois de uma noite em que as mesmas oito pessoas foram mantidas acordadas.

Na segunda situação, os níveis de tau aumentaram quase 50% nos cérebros humanos.