Meteorologia

Depressão Helena causa estragos um pouco por todo o país

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Um avião desviado, uma bomba de gasolina destruída, estradas cortadas e muitas quedas de árvores — são os efeitos do mau tempo em Portugal. Coimbra é o distrito mais afetado.

Em Esposende uma bomba de combustível da Repsol ficou com graves danos depois de o vento forte ter levantado a cobertura exterior

HUGO DELGADO/LUSA

A TAP foi obrigada a aterrar de emergência em Faro um avião que ia para Lisboa, vindo do aeroporto de Madrid. “Devido às atuais condições meteorológicas, o voo TP1025 Madrid-Lisboa divergiu para Faro”, disse à Lusa fonte da companhia aérea. A TAP afirma que “outros voos podem ser divergidos”. Os voos de e para o Aeroporto da Madeira também já estão a ser afetados, segundo avança a RTP Madeira, tendo um voo da TAP com saída prevista de Lisboa às 16h30 sido cancelado.

Este é apenas um dos muitos efeitos que a depressão Helena está a provocar no país. As quedas de árvores são os incidentes mais frequentes, mas há também quedas de muros, deslizamentos de terras, inundações, cortes de estradas e até uma bomba de gasolina destruída ou uma aterragem forçada de avião. Ao todo, são mais de quatro centenas as ocorrências registadas em vários distritos do continente, pela Proteção Civil, devido ao mau tempo.

[No Facebook foi partilhado um vídeo com estrago da depressão Helena na bomba da Repsol em Esposende]

Repsol de Esposende helena a fazer estragos

Posted by Rui Maria Mota on Friday, February 1, 2019

De acordo com informação divulgada na página da Internet da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), entre as 00h e as 18h30 desta sexta-feira estavam registadas 702 ocorrências relacionadas com “meteorologia adversa”, que mobilizaram 2435 operacionais e 919 veículos. Desde quarta-feira, registaram-se 1039 ocorrências relacionadas com mau tempo, segundo a própria ANPC.

Segundo dados da Proteção Civil, em causa estão “quedas de árvores, movimento de massas, limpezas de via e sinalização de perigo, queda de estruturas temporárias ou móveis, de elementos de construção, desabamento de estruturas edificadas e inundações de estruturas ou superfícies por precipitação intensa”.

Os efeitos mais sérios do mau tempo: uma bomba de combustível destruída, uma escola encerrada e uma estrada cortada

A escola EB 2/3 Gomes de Almeida, em Espinho, foi encerrada depois de uma parte da cobertura de um dos edifícios administrativos ter desabado, avançou o JN. Devido a este incidente, a instituição foi evacuada e, até segunda-feira, as aulas estão canceladas. A Proteção Civil e os Bombeiros de Espinho estão no local.

Também o pavilhão gimnodesportivo do Sobreiro Curvo, em Torres Vedras, ficou com a cobertura destruída devido ao mau tempo, segundo avança o Correio da Manhã. Mas a rajada de vento mais forte foi sentida na Guarda, de acordo com o mesmo jornal: 115 km/h.

Na Praia da Mira, o mar avançou esta sexta-feira sobre o Bairro Norte, destruindo defesas das dunas e passadiços de recreio, a cerca de 40 metros das casas, confirmaram os serviços de Proteção Civil. O mar violento, com vagas de grande altura e extensão, está a desfazer a base do cordão dunar naquela zona, arrastando os chamados big-bags, que ali foram colocados há meia dúzia de anos para solidificar as dunas.  Como o nome indica, os big-bags são sacos de areia compactada, de grandes dimensões, enterrados na base das dunas para contrariar a erosão e solidificar a costa arenosa. Também parte dos passadiços foram arrastados pelas águas. Apesar da proximidade das águas não há, para já, casas em perigo, relata o autarca Raul Almeida.

Em Esposende, o temporal destruiu praticamente a bomba de combustível da Repsol às 11h00. Uma estrutura metálica instalada para proteger os condutores da chuva e do sol atingiu pelo menos dois carros de clientes, avançou o Correio da Manhã. O alerta foi dado aos bombeiros por volta das 11h40 e não há registo de feridos. No local estão seis operacionais dos bombeiros, apoiados por três viaturas. Há também elementos da GNR presentes. Os carros já foram retirados. A situação deverá ter sido causada por uma forte rajada de vento. Ainda não é possível contabilizar os prejuízos a nível monetário, refere a SIC Notícias.

Depressão “Helena” faz estragos no concelho de Esposende.⚠️ A EN 103 em Forjães cortada nos dois sentidos. A via está fechada devido à queda de uma árvore.#esposende #esposendesemanario

Posted by Esposende Semanário on Friday, February 1, 2019

O Correio da Manhã avança que um andaime terá caído em cima de vários carros em Agualva-Cacém, mas não são conhecidos mais pormenores sobre o incidente. O mesmo jornal avança que outra estrutura de metal de uma obra terá caído junto ao IKEA de Alfragide.

Santarém foi outro dos locais afetados pela passagem da depressão Helena. Para além da queda de árvores e cortes de estrada, houve ainda um telhado de uma habitação que foi levantado. “Temos dezenas de ocorrências em quase todos os 21 municípios do distrito de Santarém, sendo que a queda de árvores atingiu duas viaturas em Abrantes, um poste de eletricidade caiu em cima de uma viatura em Samora Correia e a parte superior de uma estrutura de um edifício levantou em Benavente com a força do vento, não havendo feridos a registar”, disse à Lusa fonte oficial do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

Outro local onde um telhado cedeu foi numa fábrica de produtos farmacêuticos, em Queluz de Baixo. “Exisitu uma queda de estruturas do telhado, devido a um pico de vento. Os danos materiais estão confinados e tratados. Estão no local um total de 40 efetivos e 12 viaturas”, confirmou um dos comandantes de bombeiros presentes no local ao CM. E, segundo o JN, um casal e uma bebé de poucas semanas ficaram desalojados depois de o telhado de um prédio em Vila Nova de Gaia também ter sido arrancado pelo vento — tendo os destroços atingido a janela de outra habitação e, pelo menos, dois carros.

Em Famalicão, caiu uma árvore na avenida General Humberto Delgado no campo da Feira, avança o JN. Este incidente fez com que o trânsito estivesse cortado durante a manhã desta sexta-feira e a Proteção Civil foi chamada ao local.

Posted by Bombeiros de Riba de Ave on Friday, February 1, 2019

Em Valongo, na Rua Cesário Verde, perto do Monte de Santa Justa, houve um deslizamento de terras, mas não há registo de feridos ou danos materiais, confirmou ao Observador fonte dos Bombeiros de Valongo.  O alerta foi dado às 6h20 desta sexta-feira e a situação ficou resolvida cerca de uma hora depois com 4 operacionais dos bombeiros e da PSP a acudirem ao local.  Em Sintra, na Tapada das Mercês, houve também outro deslizamento de terras durante a madrugada, noticia o Correio da Manhã. 

Braga também sentiu os efeitos do mau tempo: de acordo com o JN, a queda de uma árvore de grande porte fez com que fosse cortada a estrada municipal entre Gualtar e Adaúfe. Também em Adaúfe houve um poste de eletricidade que caiu.

Estrada Nacional 110, em Penacova, no distrito de Coimbra, também esteve cortada entre Rebordosa e Foz do Caneiro, devido a uma derrocada, que ocorreu depois da meia-noite. As operações de limpeza da via terminaram por volta das 19h, segundo confirmaram os próprios bombeiros de Penacova.

REABERTA A EN 110Depois de um dia de trabalho das Infraestruturas de Portugal e das últimas ações de limpeza efetuadas…

Posted by Bombeiros Voluntários de Penacova on Friday, February 1, 2019

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra, adiantou à Lusa ainda que as condições meteorológicas adversas já provocou várias quedas de árvores um pouco por todo o distrito, sem, no entanto, causar estragos ou vítimas.

Outro local onde há uma estrada cortada desde as 13h é em Peniche, onde a Marginal Norte que liga a cidade ao Cabo Carvoeiro foi fechada ao trânsito devido à agitação marítima. “O mar estava a galgar a Marginal Norte e decidiu-se cortar a estrada desde a entrada da cidade até ao Cabo Carvoeiro”, afirmou o comandante dos bombeiros locais, Alexandre Barradas, à agência Lusa. Prevê-se que seja reaberta ao trânsito a partir das 19h, hora em que se prevê a baixa mar.

Também no Porto foi interrompida a circulação na avenida Dom Carlos I, perto da Foz, desde as 18h de quinta-feira. A agitação marítima é a principal preocupação.

No distrito de Vila Real, a neve tem caído com alguma intensidade ao longo da tarde desta sexta-feira, razão pela qual as escolas dos conselhos de Montalegre, Boticas e Vila Pouca de Aguiar encerraram mais cedo, segundo confirmaram responsáveis locais à Lusa. A GNR de Vila Real aconselha precaução aos condutores no distrito, destacando que as condições meteorológicas mais preocupantes se localizam nas auto-estradas que ligam Vila Real a Vila Pouca de Aguiar e esta última a Ribeira de Pena, bem como o IP4 na serra do Marão.

Posted by Jornal Terras da Beira on Friday, February 1, 2019

A sul também há registos de ocorrências provocadas pelo mau tempo. Duas dezenas de árvores terão caído esta sexta-feira no Alentejo, tendo uma delas levado ao corte temporário da estrada que liga Évora a Redondo, segundo fontes dos bombeiros avaçaram à Lusa. Só no distrito de Évora caíram sete árvores até às 18h desta sexta-feira, de acordo com fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS).

E em Ribeira d’Ilhas dois praticantes de kitesurf não ganharam para o susto: os dois homens de nacionalidade francesa tiveram dificuldades em sair do mar, tendo sido deslocados meios de auxílio da Capitania de Cascais e dos bombeiros da Ericeira para o local. Contudo, segundo confirmou o comandante do Porto de Cascais à Lusa, os dois homens acabaram por sair sozinhos da água, não tendo sido necessária qualquer ajuda.

Oito distritos em alerta vermelho e dois em alerta laranja

São oito os distritos de Portugal continental que estão sob alerta vermelho. Tudo por causa da depressão Helena, centrada a noroeste do golfo de Biscaia, Espanha. Esta depressão vai afetar Portugal continental em particular no que respeita ao vento e à agitação marítima na costa ocidental.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa e Setúbal estão entre as 12h e as 21h desta sexta-feira sob aviso vermelho devido à previsão de agitação marítima.

Além do alerta vermelho para a agitação marítima, o IPMA emitiu avisos laranja e amarelo para esta sexta-feira e sábado de vento para todos os distritos de Portugal continental, exceto Évora, e de neve para Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro e Coimbra.

Para esta sexta-feira está previsto vento forte de noroeste, com rajadas até 75/85 km/h no litoral, que deverão atingir valores da ordem de 110 km/h a norte do cabo Mondego e nas terras altas do Minho e Douro litoral e da região Centro.

Quanto à agitação marítima, a previsão aponta para a costa ocidental ondas de 5 a 7 metros, e temporariamente a norte do cabo Raso, passando a 7 a 8 metros durante a tarde e início da noite, e com uma altura máxima que poderá atingir 15 metros.

Devido à passagem de uma massa de ar polar pós-frontal fria, prevê-se ocorrência de aguaceiros que poderão ser localmente intensos, de granizo e acompanhados de trovoada, e sob a forma de neve nas terras altas.

O IPMA prevê ainda uma descida da temperatura, o que associado ao vento forte aumentará o desconforto térmico.

Por causa do mau tempo, a ANPC alertou para a possibilidade de cheias, formação de lençóis de água e gelo e quedas de árvore devido às previsões de chuva, neve, vento e agitação marítima para os próximos dias.

Também a Autoridade Marítima Nacional alertou para o agravamento das condições meteorológicas e oceanográficas na zona norte de Portugal continental, entre a madrugada desta sexta-feira e a de sábado.

[Artigo em atualização]

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