A Itália anunciou esta sexta-feira que bloqueou o navio Sea Watch 3, que na quinta-feira chegou à Catânia com 47 migrantes a bordo, devido a uma série de irregularidades.

Com o bloqueio do Sea Watch 3, não há mais navios das organizações não-governamentais a fazer resgates de migrantes no Mediterrâneo ao largo da Líbia.

Os funcionários da segurança naval italiana “embarcaram no Sea Watch 3 para realizar uma verificação técnica das condições do navio do ponto de vista da UNCLOS, a convenção das Nações Unidas sobre os direitos no mar”, disse num comunicado a Guarda Costeira italiana.

Durante a inspeção do Sea Watch 3, um navio certificado como barco de recreio, uma série de incumprimentos relativos à segurança da navegação no que diz respeito às regras em matéria de proteção do ambiente marinho foram apontadas, não sendo permitido a partida do navio até que estes sejam resolvidos”, referiu a nota.

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O comunicado não especifica quais são as “irregularidades” em questão.

Os funcionários da guarda costeira disseram que informaram a Holanda, país do pavilhão do navio da organização não-governamental Sea Watch, que essas irregularidades terão de ser resolvidas em cooperação com as autoridades competentes italianas – a guarda costeira e o comando da capitania dos portos. “Enquanto isso não for resolvido, a unidade não poderá deixar o porto de Catânia”, disse o comunicado.

A tripulação do navio temia um desenvolvimento dessa natureza quando foi ordenado que se dirigisse à Catânia, uma cidade siciliana cujo procurador “não tem uma história muito amigável com as ONG”, disse na quinta-feira Kim Heaton-Heather, chefe de missão a bordo.

“Mas estamos todos absolutamente convencidos de que não fizemos nada de errado, que seguimos a lei à letra”, acrescentou.

O navio permanece atualmente bloqueado, não por razões judiciais, como temia a ONG, mas por razões mais técnicas, até mesmo administrativas.

No início da manhã desta sexta-feira, a ONG lamentou que o barco tenha sido forçado a ficar atracado na noite de quinta-feira no porto da Catânia, sem saber que provavelmente ficariam no local mais do que uma noite.

Forçados a ficar na Catânia durante a noite, a mudança de tripulação planeada não foi permitida, a polícia a bordo continua a pedir-nos informações, durante este tempo não há mais navios civis no Mediterrâneo para ajudar “migrantes, lamentaram os integrantes do Sea Watch na rede social Twitter.

As principais ONG envolvidas nos resgates no Mediterrâneo suspenderam as suas atividades no final do verão de 2017, em face do número decrescente de partidas da Líbia e a intensificação das ameaças da guarda costeira da Líbia, que considera as ONG como cúmplices dos traficantes e contrabandistas.

Outros navios de ONG foram bloqueados ou impedidos de realizarem resgates no Mediterrâneo por países europeus.